Euratex publica manifesto para 2024

Tendo como cenário as eleições na Europa do próximo ano, a confederação europeia do têxtil e vestuário apresenta 15 medidas, divididas por quatro áreas de atuação, para garantir a competitividade da ITV da UE.

Alberto Paccanelli

O Manifesto da Euratex destaca o valor da indústria têxtil e vestuário para a economia europeia e apela a que a nova Comissão Europeia, que resultará das eleições para o Parlamento Europeu que se realizam de 6 a 9 de junho nos países membros – em Portugal serão no dia 9 de junho – reconheça o empreendedorismo «como a base para uma indústria têxtil competitiva, oferecendo produtos sustentáveis ​​e de alta qualidade, baseados na inovação, criatividade e design. Os decisores políticos europeus devem reconhecer esse papel para as empresas têxteis e de vestuário e ter um diálogo aberto para criar melhores condições de enquadramento para operar nos mercados internos e globais».

Segundo a confederação, «a indústria e os decisores políticos precisam de trabalhar em conjunto numa combinação de medidas e iniciativas políticas que sejam coerentes e ofereçam um quadro transparente e previsível para as nossas empresas, tornando-as mais resilientes e competitivas».

Estas políticas devem estar centradas em quatro áreas, nomeadamente no desenvolvimento e implantação de uma política industrial “inteligente”, em assegurar a competitividade na transição para a sustentabilidade, em garantir um comércio livre e justo e no incentivo à procura de têxteis sustentáveis.

Entre as medidas propostas no Manifesto estão a avaliação dos impactos da regulamentação e a remoção de leis contraditórias, assim como a implementação do que a Euratex chama de “teste de competitividade” para cada nova regulamentação lançada, mas também o acesso a energia sustentável a preços competitivos, investimento em inovação e digitalização, o estabelecimento de objetivos e prazos realistas para a entrada em vigor de novas leis, assegurar que os compromissos de sustentabilidade se estendem não só às empresas europeias mas a todas as que operam no mercado da UE, a adoção de acordos de comércio livre equilibrados – incluindo a finalização do acordo com o Mercosul – combater o greenwashing, a introdução de incentivos para os consumidores comprarem produtos sustentáveis e a obrigatoriedade efetiva das autoridades públicas terem práticas sustentáveis de compras, com critérios que vão além do preço.

Para Alberto Paccanelli, presidente da Euratex, «estas eleições são um ponto de viragem para o futuro da Europa e da sua base industrial. Embora algumas regiões do mundo já estejam a tomar medidas para apoiar a sua indústria, a Europa tem ficado para trás. Precisamos agora de uma visão clara que nos conduza a um futuro mais ecológico e rico. Precisamos de conciliar estes dois objetivos e trazer connosco grandes parceiros mundiais, porque esta transformação não pode ser feita por uma só região».