Euratex pressiona para acordo com o Mercosul

A confederação europeia do têxtil e vestuário, juntamente com outras 22 associações de diferentes indústrias, está a apelar à conclusão rápida das negociações do acordo de comércio livre com o Mercosul, que abrirá portas à diversificação de mercados.

[©Mercosul-João Risi]

A Euratex enviou uma carta conjunta à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a solicitar a conclusão «rápida» das negociações e ratificação do acordo, sublinhando que «não há tempo a perder».

«Ter o acordo UE-Mercosul em vigor vai impulsionar a integração das nossas economias e ajudar a diversificar as nossas cadeias de aprovisionamento, tanto para importações como para exportações. Essa é a chave para a competitividade dos nossos sectores orientados para a exportação, que criam dezenas de milhões de empregos na Europa e dão um contributo essencial para a prosperidade e padrão de vida dos cidadãos europeus. Também ajuda a promover a autonomia estratégica aberta da UE, numa altura de crescentes preocupações com a segurança económica, ao fazermos parcerias com países com mentalidades semelhantes», sublinha o documento.

A Euratex e as restantes 22 associações – de áreas como a construção automóvel, cerâmica, químicos, peles, cosméticos, bebidas e brinquedos, entre outras – destacam que o acordo é uma oportunidade única para a UE ser pioneira no estabelecimento de laços com estas grandes economias mundiais.

O acordo deverá contribuir para reduzir taxas e barreiras não tarifárias ao comércio, que estão atualmente a prejudicar os negócios, abrindo as portas a um mercado que, no conjunto dos países representa mais de 270 milhões de consumidores.

«É importante reconhecer as enormes oportunidades que o acordo oferece, que vão ajudar a manter uma estrutura industrial forte na UE, incluindo em áreas rurais, e, como tal, salvaguarda o emprego e bem-estar de milhões de cidadãos europeus», salienta a carta.

Além disso, apontam os signatários, «tendo em conta que a UE tem falta de reservas substanciais de matérias-primas necessárias para a transição digital e sustentável e o facto de uma parte considerável do crescimento mundial deverá vir de fora da UE na próxima década, as nossas indústrias precisam de mercados de exportação abertos para vender bens e serviços europeus e comprar matérias-primas a preços competitivos». Como tal, consideram, o acordo «é um imperativo económico, social e geopolítico».

Já em julho do ano passado, 19 entidades, incluindo a Euratex, tinham solicitado às entidades europeias a ratificação do acordo, tendo havido uma pressão semelhante por parte dos produtores de vestuário do Brasil e da Argentina junto dos responsáveis do Mercosul.