Euratex mantém foco na sustentabilidade e competitividade da ITV

Numa intervenção na Première Vision, Mário Jorge Machado, o novo presidente da confederação europeia do têxtil e vestuário, destacou a necessidade de trabalhar em Bruxelas para tornar a indústria mais verde sem perder o foco nos resultados financeiros das empresas.

No seu segundo dia como presidente da Euratex, como sublinhou na sua apresentação, Mário Jorge Machado assumiu, perante a plateia heterogénea da área Talks, na Première Vision, o objetivo de continuar o trabalho que tem vindo a ser feito pela confederação, onde os conceitos de sustentabilidade e competitividade andam de mãos dadas.

«A indústria têxtil é inovadora e está a produzir de maneira mais sustentável. Precisamos que os nossos líderes políticos estejam cientes do esforço que todos vocês fazem nas vossas empresas», referiu, durante um painel dedicado aos grandes desafios da indústria têxtil e do vestuário na Europa, onde teve a companhia de Olivier Ducatillion, presidente da associação francesa UIT – Union des Industries Textiles.

Com a entrada em funções da nova Comissão Europeia, o presidente da Euratex destacou a urgência de desenvolver novas legislações que promovam a sustentabilidade, nas suas diversas vertentes, e a inovação. «A competitividade está muito ligada à inovação, mas também à sustentabilidade, tanto ambiental quanto social», enfatizou, realçando que «os consumidores precisam de estar informados sobre os esforços das empresas europeias em prol da sustentabilidade», até porque, «se não comunicarmos claramente aos consumidores os nossos esforços, estaremos a perder esta vantagem competitiva».

Mário Jorge Machado também abordou a questão dos custos associados à produção sustentável. «Há sempre um custo. Produzir de forma mais sustentável tem um custo, ou então é o planeta que vai pagar. Todos nós somos responsáveis por tomar medidas para que o planeta não suporte esse custo», referiu.

Uma das prioridades da nova liderança da Euratex é a implementação da Estratégia para os Têxteis Sustentáveis, que visa reduzir a pegada ambiental do sector têxtil. No âmbito deste documento, estão a ser desenvolvidos novos pacotes legislativos, incluindo a regulamentação do ecodesign, a diligência devida e as diretrizes para resíduos, enumerou.

A energia renovável foi igualmente um dos temas discutidos. «Devemos investir em energias renováveis e eletrificar a nossa economia. Temos uma meta de descarbonização até 2050 e devemos agir agora», salientou, incentivando consumidores, compradores e produtores a tomarem decisões informadas sobre as fontes de energia utilizadas.

Outro dos pontos focados por Mário Jorge Machado foi a reciprocidade e a concorrência justa. «Queremos uma concorrência justa. Aceitamos a competição, mas não aceitamos truques. Precisamos de uma Europa limpa e um mundo justo, com de políticas comuns discutidas a nível europeu para garantir um campo de jogo nivelado», concluiu.