EUA: Um ano de liberalização

O ano transacto ficou marcado pela abolição total das restrições quantitativas às importações de artigos têxteis e de vestuário da ITV no âmbito da OMC com destaque para a liberalização dos mercados norte-americano e comunitário, os dois maiores mercados de importação destes artigos. Todavia, confrontados com o forte dinamismo dos fluxos da China, EUA e U.E. repuseram as quotas de importação a meados do ano nas categorias mais sensíveis. Neste contexto, à medida que são publicados os primeiros dados relativos ao ano de 2005 pela United States Internacional Trade Commission (USITC), o Observatório Têxtil do CENESTAP avalia o impacto efectivo da liberalização do mercado norte-americano nos fluxos dos principais parceiros comerciais com destaque para o mercado nacional. De acordo com as estatísticas provisórias dos EUA, no ano transacto as importações totais da Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) ascenderam a 97,2 mil milhões de dólares correspondendo a um crescimento de 7,0% face a 2004. A maior fatia deste bolo pertenceu à China que com um total de 23,8 mil milhões de euros importados foi responsável por 24,5% das entradas totais. Apesar dos embargos às importações e da reposição das restrições quantitativas às importações em algumas categorias, as importações norte-americanas de têxteis e vestuário com origem chinesa cresceram 50,6% em 2005 face ao ano anterior Para além da China, sobressai também o dinamismo das importações dos artigos originários da Índia e do Paquistão com taxas de crescimento de 28,0% e 13,6%, respectivamente. Refira-se que a Índia é actualmente o terceiro principal mercado de origem das entradas dos EUA a seguir ao México que foi um dos mercados que mais perdeu neste primeiro ano de liberalização (as importações do México caíram 6,5%). Relativamente a Portugal a evolução do mercado norte-americano é sobretudo fundamental ao nível dos têxteis-lar, uma vez que, 61,7% importações dos EUA com origem lusa são artigos têxteis para o lar, em particular, lençóis e os felpos. Durante 2005, as empresas nacionais do sector tiveram que lidar, para além do risco cambial, com um forte aumento da concorrência dos mercados antes restritos e com elevada capacidade de exportação neste tipo de artigos, nomeadamente, a China, Índia e Paquistão. Segundo os primeiros dados da USITC, as importações norte-americanas de têxteis-lar ascenderam a 8,2 mil milhões de dólares que compara com os 7,1 mil milhões de 2004 (taxa de crescimento anual de 15,5%). Para este resultado contribuíram as importações da China, da Índia e do Paquistão com taxas de crescimento de 33,9%, 11,3% e 44,1% entre 2004 e 2005. Note-se que estes mercados lideram por esta ordem o ranking das principais origens das importações. As importações do mercado nacional fixaram-se, de acordo com estas estimativas, nos 218,8 milhões de dólares reflectindo uma queda das importações de 3,6% relativamente ao ano anterior. Deste modo, as importações de Portugal invertem a tendência de crescimento registada em no ano anterior mantendo-se, todavia, acima valor importado em 2003 (218,2 milhões de dólares).