EUA: América Central vs. Ásia na conquista da quota chinesa

Com os embargos em vigor desde Julho, os países da América Central estão em luta com os seus concorrentes na Ásia para conquistar a quota de mercado deixada pela China. De acordo com os resultados apresentados pela análise do Emerging Textiles, as importações norte-americanas de vestuário embargadas desde o mês de Julho estão a diminuir à medida que os retalhistas procuram encontrar fornecedores alternativos.

A análise apresenta a comparação do desempenho dos diversos concorrentes em oito categorias Otexa cujas importações com origem na China foram embargadas no mercado norte-americano. De acordo com os resultados, as importações de Agosto, para todas as categorias em causa, foram afectadas pelas medidas de salvaguarda, resultando em subidas ligeiras ou quebras no volume, em relação aos valores registados em Agosto de 2004.

Categorias 338/339

Nas categorias 338/339 (pólos e t-shirts de algodão para homem e senhora), diversos países da América Central estão a afirmar-se na conquista da quota de mercado da China.

Na categoria da roupa para homem (categoria 338), as Honduras aumentaram a sua quota de mercado nos EUA assumindo 22,2% do mercado no mês de Agosto. Nas posições seguintes surgem El Salvador e México com quotas de 10,7% e 10,0%, respectivamente.

O concorrente asiático mais próximo é o Paquistão, posicionado em quarto lugar, que aumentou de forma moderada a sua quota de mercado nos EUA dos 6,48% em Junho para os 8,17% em Agosto.

Em termos agregados para o volume das importações norte-americanas na categoria 338, registou-se uma subida de cerca de 7% durante o mês de Agosto, relativamente a igual mês de 2004, ao abrigo do antigo sistema de quotas alfandegárias.

Na categoria do vestuário para senhora (categoria 339), o principal fornecedor norte-americano é a Guatemala apesar da sua quota de mercado não ter praticamente aumentado dos 12% registados em Junho. A quota de mercado do México, segundo principal fornecedor, registou efectivamente uma quebra dos 14,7% em Julho para os 11,8% em Agosto. As Honduras conseguiram recuperar de uma quota de 6,87% em Julho, conquistando uma quota de 9% em Agosto.

No entanto, os três países da América Latina exportaram menores quantidades para os EUA durante o mês de Agosto de 2005, relativamente a período homólogo de 2004. Contrariando esta tendência, Hong Kong registou uma subida muito significativa das exportações passando de uma quota de 2,49% em Junho para 5,74% em Agosto.

Categorias 347/348

O México foi o principal fornecedor de calças e calções de algodão para homem e criança (categoria 347) durante o mês de Agosto. Responsáveis por 28,45% do mercado norte-americano para a categoria em causa, as exportações mexicanas registaram uma evolução positiva relativamente aos 19% de quota de mercado que possuía em Junho.

Apesar da ligeira descida (0,7%) no volume de exportações relativamente ao mês de Agosto de 2004, o desempenho do México conseguido em 2005 é uma poderá ser uma evidência de que os retalhistas norte-americanos estão a optar por fornecedores geograficamente mais próximos, privilegiando a proximidade geográfica como factor de decisão.

No entanto as importações de calças e calções de algodão para senhora e criança (categoria 348) apenas deram uma fatia de 15,12% ao México, o que evidencia uma evolução negativa relativamente aos 16,7% registados no mês de Julho.

Hong Kong encontra-se na segunda posição com uma quota de mercado de 8,2% fundamentalmente em virtude das reexportações com origem na China continental. Posicionando-se após Hong Kong, Vietname, Cambodja e Bangladesh estão a esforçar-se para preencher o vazio deixado pela China após aumentarem a sua quota de mercado em Agosto.

Categorias 352/652

As Honduras deixaram escapar os 20% da quota de roupa interior de algodão para homem e senhora (categoria 352) que possuíam no mercado norte-americano em Junho e Julho, assumindo uma quota de 16,8% em Agosto. A República Dominicana ultrapassou El Salvador posicionando-se no segundo lugar com uma quota de mercado de 16,07% em Agosto.

Os países asiáticos, nomeadamente Tailândia, Bangladesh e Índia registaram um aumento gradual das suas quotas de mercado ao longo dos três últimos meses.

Com quotas perto dos 10%, México e Honduras estão a liderar o fornecimento para os EUA na categoria 652 (roupa interior em fibras não-naturais para homem e senhora), cujo mercado registou uma quebra de 25,45% em Agosto, relativamente a período homólogo de 2004.

A Tailândia encontra-se actualmente na terceira posição após registar uma subida dos 3,45% em Junho para os 9,27% na quota de mercado em Agosto.

Macau e Israel registaram uma evolução significativa na quota de mercado, passando dos 2,41% e 3,90% em Junho e para os 8,66% e 7,38% em Agosto, respectivamente.

Categorias 638/639

O mercado norte-americano de camisas para homem e senhora registou uma quebra durante o mês de Agosto, registando uma contracção de 9,7% e 17,0% nas categorias 638 e 639, relativamente a igual período de 2004.

Os retalhistas norte-americanos favoreceram as importações de camisas para homem (categoria 638) com origem nos países vizinhos como México (quota de 24,59%), Honduras (18,24%) e Haiti (8,91%).

No entanto, para as encomendas de camisas de senhora (categoria 639) os retalhistas optaram pelas importações dos países asiáticos.

As importações com origem em Hong Kong registaram uma subida na quota de mercado norte-americano dos apenas 7,04% em Junho para os 19,18% em Agosto, em virtude do maior volume de reexportações de produtos chineses. O México assume a segunda posição com uma quota de mercado de 9,89%.

Oito dos dez principais fornecedores nesta categoria são países asiáticos que em termos agregados foram responsáveis por mais de metade da quota do mercado norte-americano em Agosto.

Tudo em aberto na luta pela quota da China

Os resultados apresentados na análise do Emerging Textiles servem como indicadores para a batalha pela quota chinesa nas diversas categorias de artigos embargados pelos EUA.

No entanto, estes dados não revelam a existência de diversos factores que devem ser tomados em consideração, entre os quais conta-se a existência de um eventual acordo entre a China e os EUA ou o eventual prolongamento das medidas de salvaguarda. Enquanto não existe uma noção clara sobre o desenvolvimento do comércio de têxteis e vestuário entre a China e os EUA, mantém-se a tendência entre os retalhistas para procurar alternativas de fornecimento capazes de preencher o vazio deixado pela China.