Espanha exportou 5.643 milhões €

A crescente orientação da produção portuguesa para a vizinha Espanha justifica uma análise e acompanhamento do comércio entre estes dois mercados, razão pela qual o Observatório Têxtil do CENESTAP dedica a Ficha desta semana ao mercado espanhol. Assim, e com base nos dados disponíveis de 2000, constata-se que a Espanha importou, neste ano, 7.712 milhões de euros de produtos têxteis e de vestuário, com a Itália a assumir a posição de principal fornecedor com um peso relativo de 18%, seguindo-se a França com 10,6%. Por outro lado, as transferências para o exterior totalizaram 5.643 milhões de euros, implicando um défice comercial de 2.068 milhões de euros. A França foi o principal cliente, absorvendo 16,5% das exportações espanholas, tendo Portugal ocupado a 2ª posição, com as exportações para terras lusitanas a corresponderem a 15,5%. Os fluxos bilaterais entre Portugal e Espanha têm implícito um défice para os produtos nacionais e que se traduz em 235 milhões de euros. Em termos de produtos, regista-se que 48,9% das importações espanholas são de artigos que integram a categoria de vestuário, com os artigos não malha a assumirem uma ligeira preponderância. Nas exportações, o sector têxtil prevalece face ao vestuário, uma vez que representa 62,2% das exportações espanholas. Os Artigos de algodão, Filamentos sintéticos ou artificiais, Fibras sintéticas ou artificiais descontínuas, são aqueles em que as exportações mais se concentram, correspondendo, em termos acumulados, a 37,3%. As exportações portuguesas convergem significativamente para os produtos de vestuário, uma vez que representam 2/3 do total, com os artigos de malha a corresponderem a 39,8% das exportações de têxteis e vestuário para Espanha. Para além desta abordagem quantitativa, é importante referir nesta pequena análise a imagem que as empresas da ITV espanholas vêm assumindo no panorama mundial, constituindo verdadeiros casos de sucesso. Como exemplo, podemos referir a Inditex, cujo conselheiro-delegado, José Maria Castellano, esteve presente no Seminário “A têxtil portuguesa no horizonte 2010: prospectiva e reflexão”, e perante uma vasta plateia apresentou os dados que atestam esta evolução. Este caso não deve servir como modelo para copiar mas sim contribuir para que as empresas reflictam e se focalizem em factores decisivos, definidos consoante as características da própria organização, do mercado, dos produtos, critérios de inovação, imagem, para que funcionem como meios para atingirem o fim desejado (aumento das vendas, aumento das margens, diminuição de custos).