Espanha em maus lençóis

A difícil situação económica que algumas empresas têxteis catalãs estão a atravessar, está a colocar em perigo mais de dois mil postos de trabalho. Algumas empresas recorreram ao processo de regulamentação de emprego para impedir a crise, mas outras, como a Burés ou a Inar, não conseguiram evitar o encerramento. O regresso das férias está a ser muito agitado na indústria têxtil catalã. Este mês a Industrial Aragonés notificou o encerramento das suas fábricas e o despedimento de 240 pessoas e no passado fim de semana, a Industrias Burés comunicou aos quadros a sua falência, paralelamente a Mitasa afirmou que estava em declínio, apesar de continuar a procurar medidas para sobreviver. Outras empresas, como a Buretex, viram-se obrigadas a suspender os pagamentos. A estes últimos casos soma uma enorme lista de empresas têxteis que no decorrer deste ano tiveram que implantar uma medida, mais ou menos drástica, para enfrentar a crise que estão a atravessar. No total, mais de 2100 trabalhadores são afectados pelos diferentes processo de regulamentação de emprego. Cerca de 700 pessoas perderam os seus postos de trabalho devido ao encerramento da fábrica onde trabalhavam, 226 estão afectadas pelos processo de regulamentação de emprego e 1100 estão submetidos a uma regulação temporal da sua jornada laboral, como é o caso da Lanitex e da Puigneró. O patronato do sector afirma que estes dados reflectem o facto de algumas empresas já não estarem bem desde há muito tempo e a recessão, a descida nas vendas e o aumento da concorrência externa minaram toda a possibilidade de sobreviver. A administração das empresas Hilaturas Burés e Mitasa irão reunir-se com a direcção e com os trabalhadores para tentarem encontrar uma saída desta crise. A empresa Burés, sediada em Anglès e controlada pela família Juncalleda, deverá negociar as condições de despedimento de 98 trabalhadores da sua única fábrica, que irá fechar definitivamente. A empresa Mitasa, por sua vez, tem à sua frente um enorme caminho a percorrer. A Mitasa, que conta com unidades em Castellar de N’Hug e Alfarràs, ambas na comarca de Berguedà, convocou para esta quinta-feira uma reunião com os trabalhadores – na sua maioria com contratos fixos – para tratar da situação actual. Apesar das dificuldades se terem agravado, a Catalunha continua a ser o motor da têxtil em Espanha.