Escada já tem novo dono

Megha Mittal saltou para a ribalta da moda no passado 6 de Novembro com a compra da marca alemã Escada, numa acção que conta com o apoio dos sogros, que detêm a gigante mundial do aço ArcelorMittal. Megha e o marido Aditya Mittal, director financeiro do maior grupo de aço e único filho do dono, Lakshmi Mittal, foram bem acolhidos pelos funcionários da Escada, que os vêem como «parceiros de sonho». Alguns trabalhadores «gritaram de alegria» na sede da empresa em Munique, revelou úrsula Dreyer, presidente do comité de trabalhadores da Escada, à AFP. Após ter trabalhado com o banco americano de investimento Goldman Sachs e ter seguido estudos em arquitectura, Megha tentou durante 18 meses envolver-se no sector da moda, a sua verdadeira paixão, de acordo com uma porta-voz da família Mittal. Também estudou na escola de gestão Wharton nos EUA, onde conheceu o seu marido, ambos agora com 33 anos. Embora lhe falte experiência na moda, a porta-voz da família Mittal afirma, contudo, que Megha será capaz de estabelecer a ligação da Escada com os fornecedores indianos com quem está em contacto. A família Mittal tem já interesses no sector têxtil e considerou a hipótese de investir na casa de moda italiana Gianfranco Ferré. Agora que detém a Escada, Megha Mittal pretende apoiar a estratégia pensada pelo director-executivo da empresa, Bruno Saelzer, que prevê o desenvolvimento de linhas de vestuário mais acessíveis, mantendo o «factor glamour», numa estratégia semelhante à que Saelzer preconizou quando dirigia a Hugo Boss, segundo revelou uma fonte próxima à AFP. «Megha acredita que Bruno Saelzer é a pessoa certa para continuar a gerir a empresa», revelou a porta-voz da família Mittal, acrescentando que Megha irá estar no conselho de supervisão e trabalhar para melhorar a imagem da marca. «Ela é uma mulher muito refinada, muito bonita e muito inteligente. Tem um verdadeiro sentido para a qualidade», afirmou a porta-voz. A história, embora parecendo saída directamente de um filme de Bollywood, tem contornos difíceis, já que os problemas da Escada são bem reais. Muito endividada e com vendas em queda, o grupo registou um prejuízo de quase 100 milhões de euros no primeiro semestre do actual ano fiscal e uma quebra de 33% no volume de negócios do segundo semestre. A Escada apresentou o processo de insolvência em meados de Agosto e começou a procurar um investidor, com mais de 12 entidades a expressarem o seu interesse, incluindo Sven Ley, filho do fundador da Escada, Wolfgang Ley (ver Ofertas sobem na Escada). A reestruturação do grupo deverá levar a uma redução do número de postos de trabalho, que, no entanto, se deverá manter ao mínimo. As negociações com os sindicatos deverão começar em breve. Os detalhes financeiros do negócio não foram divulgados, mas os especialistas citados nas notícias da imprensa alemã estimam que a Escada tenha sido vendida por 30 milhões de euros, com o grupo a precisar de um investimento de cerca de 100 milhões de euros para os próximos dois anos.