ERT inova em várias frentes

A empresa está envolvida em diferentes projetos de inovação, nomeadamente no desenvolvimento de compósitos com fibras mais sustentáveis e na criação de superfícies interativas para o interior automóvel.

David Macário [©CITEVE]

A produção de componentes para o sector automóvel é, atualmente, o core business da ERT, representando cerca de 90% do seu volume de faturação, que ronda, anualmente, os 100 milhões de euros, mas a empresa está igualmente envolvida noutros sectores, como os adesivos e o calçado, e é nessas várias áreas, e nas várias fases produtivas, que tem vindo a inovar.

«Do ponto de vista do nosso processo industrial, somos bastante verticais», explicou David Macário, diretor de inovação da ERT, durante o seminário temático novos materiais reciclados, funcionais e inteligentes da Sociedade Portuguesa de Materiais, que teve lugar em dezembro no CITEVE. «Começamos com os materiais para laminação em rolo – sejam eles pele sintética, vários tipos de tecidos e não-tecidos, espumas e outros materiais –, laminamos em rolo, somos capazes de o costurar e, no fim, revestir peças plásticas e, portanto, entregar diretamente ao nosso cliente um componente, seja um painel de porta, um fole, uma manete de velocidades ou um apoio de braço», destacou.

Para isso, a ERT tem, dentro de portas, uma série de tecnologias, incluindo sistemas robotizados de injeção de poliuretano, máquinas de sobreposição automática de materiais para compósitos e reatores químicos para colas.

«A inovação está no nosso ADN há já bastantes anos. Foi também o que nos ajudou a posicionar no mercado», sublinhou David Macário, adiantando que a empresa investe «cerca de 3% do volume de negócios em inovação».

Projetos em curso

Sustentabilidade, digitalização e conforto são atualmente os pilares dos novos projetos de inovação em que a empresa está envolvida. «Queremos ser mais sustentáveis e oferecer soluções mais inteligentes aos nossos clientes. Temos cada vez mais pedidos e necessidade de produzir materiais com, por exemplo, eletrónica embebida – há um esforço muito grande na eletrónica flexível», referiu.

Na área da sustentabilidade, a ERT integra o consórcio do Be@t, no têxtil, e no BioShoesd4All, no sector do calçado. «No caso do Be@t estamos a trabalhar em compósitos estruturais para peças do interior do automóvel. A ideia é estudar alternativas ao plástico que sejam mais sustentáveis, mais leves e recicláveis», explicou. «Fizemos alguns trabalhos, no passado, a trabalhar com fibras como a juta e polímeros como o polipropileno. Neste momento, estamos a evoluir no sentido do cânhamo, também para recuperar uma cultura antiga de produção de fibra», apontou David Macário.

Um outro desenvolvimento prende-se com a reciclagem de couro, um projeto que vem do passado – que venceu um Techtextil Innovation Award – e que está atualmente a ser trabalhado para «aplicações no automóvel para conseguir cumprir os requisitos de desgaste às condições ambientais, abrasão, entre outros», assim como os aglomerados de EVA. «São aglomerados que já temos capacidade de fabricar a partir de aparas de EVA da produção de chinelos para a indústria do calçado. O que é que estamos agora a fazer no âmbito da reciclagem mecânica? Estamos a tentar valorizar esse processo fazendo aglomerados de outros materiais e, também, a caracterizar fisicamente estes materiais», indicou o diretor de inovação.

Desafio na funcionalização de materiais

Mais na área digital, a ERT está a trabalhar em superfícies interativas. «Queremos dar valor e funcionalidade aos revestimentos para o interior do automóvel. Tentamos embeber eletrónica flexível, um sistema de aquecimento ativo feito com uma membrana de grafeno», exemplificou David Macário, avançando outras possibilidades como a introdução de sensores que comunicam com os sistemas sem necessidade de fios.

[©ERT]
Aliás, para o futuro, a ERT acredita que a funcionalização dos materiais será o tema incontornável. «Cada vez mais sentimos que os nossos clientes querem materiais funcionais, mas que têm de ser recicláveis ou compostáveis. Isso coloca um desafio muito grande, com a utilização de matérias-primas renováveis e menos energia e recursos na produção», aponta David Macário.

Um desafio que a empresa espera responder numa lógica de colaboração e parceria com os clientes, mas também com outras empresas do sector, como está atualmente a fazer com a Tintex, com quem está a interagir no âmbito da eletrónica flexível. «Estamos sempre abertos a ouvir, a conversar, a partilhar ideias. Uma coisa que temos feito, e temos total abertura da administração para isso, é para, dentro do que é possível, disponibilizar os nossos processos industriais para ensaiar novos materiais, novas ideias – temos já muita gente que interagiu connosco nesse sentido. Estamos abertos para outras colaborações», concluiu o diretor de inovação da ERT.