Eres apresenta pedido de falência

A empresa de confecções Eres sediada no Fundão, apresentou o pedido de falência ao Tribunal do Fundão na passada Quinta-feira. A empresa é a segunda maior do conselho e emprega cerca de 500 funcionários que estão neste momento na eminência de ficar desempregados. O pedido de falência foi feito depois da administração da Eres ter escrito às operárias informando acerca do mesmo, remetendo para a concorrência de mão-de-obra mais barata a opção de encerrar a fábrica. O Jornal Têxtil contactou a empresa não tendo tido resposta relativamente a esta questão, dado não se encontrar nenhum responsável da administração na empresa. Contactado o presidente do Sindicato dos Têxteis da Beira Baixa, Luís Garra, afirmou que «a empresa esteve sempre bem até ao momento em que a empresa mãe sediada na Suíça, decidiu fazer a deslocalização da sua produção, numa primeira fase para Cabo Verde e numa segunda para a Bulgária». A empresa-mãe decidiu autonomizar a Eres do Fundão há cerca de dois anos, tanto do ponto de vista financeiro como do ponto de económico, mas esta estratégia não vingou. A Eres não tinha produtos com uma qualidade suficiente para penetrar no mercado e começou a trabalhar a feitio, «com margens mais escassas, o que fez com que a empresa daí para cá passasse a ter uma situação deficitária, que foi agravada pela dívida da Eres Fundão para com a empresa mãe», acrescentou o dirigente. Esta situação levou a que no passado mês de Novembro a administração da empresa tivesse anunciado a intenção de efectuar um despedimento colectivo de cerca de 112 trabalhadores, medida esta que iria assegurar a laboração da fábrica, mas com menos pessoal. O Sindicato opôs-se a esta atitude e sugeriu, numa reunião com a presença do IDICT e do Centro de Emprego, que se entrasse num «processo de negociação individual» que a empresa aceitou, «mas, sempre com o argumento que não tinha dinheiro para pagar as indemnizações, não deu seguimento a essa negociação» acrescenta Luís Garra. Agora, depois de iniciado o processo de falência, a decisão do processo de venda de património e retoma de laboração irá, nas palavras do sindicalista, «ser longo». Neste momento, segundo Garra, existem dois cenários possíveis. A empresa poderá consumar o processo de falência, deixando os funcionários no desemprego – segundo o dirigente sindical a empresa nem sequer cedeu ao facto de várias funcionárias aceitarem a cessação de contrato tendo como contrapartida o fundo de desemprego. O outro cenário possível será o SIME intervir procurando alguém que «queira dar continuidade à empresa», ou alguma empresa que pretenda «alugar instalações máquinas e avançar com aqueles trabalhadores. Entretanto o processo de falência seguirá». A empresa poderá ainda optar por vender a «universalidade jurídica da empresa – como está a acontecer com a Molin – a quem apresentar a proposta que garanta a continuidade dos postos de trabalho, ou da maioria dos postos de trabalho». A conclusão a que o Sindicato chega é que toda esta situação foi provocada pela «mudança de estratégia da empresa mãe, designadamente a procura de mão-de-obra mais barata». Luis Garra acrescenta que «não havia razões para a falência, a empresa era rentável e com uma boa carteira de encomendas. A Eres nunca teve problemas de trabalho». O cenário na nesta região não está nada bom. Do ponto de vista do dirigente sindical, «esta situação requer o lançamento de um plano de emergência para a região. Temos um cenário em menos de um ano a redução no sector das confecções foi de mais de 1000 trabalhadores. A primeira medida que vamos propor ao próximo ministro da economia, é que ele provoque uma reunião de reflexão alargada com os sindicatos, com os autarcas, com as associações empresariais para em conjunto podermos ver as medidas a adoptar para esta região».