Enzimas desenvolvidas por IA combatem resíduos

A start-up Protein Evolution fez uma parceria com a Basecamp Research, especialista em biodesign apoiado por inteligência artificial, para explorar como o desenvolvimento avançado de enzimas pode ajudar a reduzir os resíduos de poliamida e poliuretano.

[©Protein Evolution]

A tecnologia desenvolvida pela Protein Evolution usa enzimas para quebrar biologicamente resíduos de têxteis sintéticos e plástico. Atualmente a funcionar a uma escala piloto e com o foco agora na redução dos resíduos de poliéster, a start-up está a construir a sua própria fábrica à escala industrial para processar 50 mil toneladas de têxteis sintéticos por ano.

A parceria vai permitir à Protein Evolution aceder ao sistema de mapeamento de biodiversidade da Basecamp Research e desbloquear enzimas até agora inacessíveis para quebrar resíduos de poliuretano e poliamida.

O poliuretano, que é usado habitualmente em produtos como shapewear, colchões, sofás, assentos de automóveis e painéis de isolamento, tem sido um problema para a reciclagem. O mesmo acontece com a poliamida, que é usada em athleisure, redes de pesca e outros tipos de produtos técnicos. Em conjunto, refere a Protein Evolution, estes materiais representam 10% da produção mundial de plástico e a sua composição torna-os difíceis de reciclar, levando à sua acumulação em aterros e incineradoras.

«Até agora, a reciclagem biológica de resíduos de poliamida e poliuretano apenas foi explorada no laboratório. Estamos desejosos de fazer parcerias com a indústria para fornecer uma solução viável para as empresas petroquímicas, produtores e marcas, á medida que trabalhamos para responder aos objetivos mundiais de descarbonização e reduzir o peso dos resíduos da moda no nosso planeta», afirma Connor Lynn, cofundadora e diretor de negócios da Protein Evolution.

A colaboração com a Basecamp Research vai focar-se na engenharia de novas enzimas capazes de quebrar as longas cadeias químicas de poliuretano e poliamida nas suas moléculas precursoras. Para além de serem completamente circulares, os produtos têxteis e o plástico feito com estes ingredientes reciclados terão uma pegada de carbono significativamente mais baixa, já que não será necessário recorrer a mais combustíveis fósseis, mantendo ainda a qualidade e resistência dos materiais virgens.

«Estamos muito contentes por ser um parceiro de tecnologia fundamental para a visão ambiciosa da Protein Evolution para uma indústria de plásticos descarbonizada, que já captou a atenção de várias marcas reconhecidas», sustenta Glen Gowers, cofundador da Basecamp Research. «As nossas equipas partilham a mesma crença de que a natureza é a melhor inspiração para resolver os desafios mais urgentes do nosso planeta», conclui.