Empresas têxteis sentem arrefecimento

Inovafil, Albano Morgado, Acatel e Adalberto dão conta de uma menor procura e maior incerteza, mas apostas na diversificação de produtos e de mercados permitem ter perspetivas relativamente positivas para o ano de 2023.

Rui Martins, CEO da Inovafil, confirma que «o arrefecimento é geral, nota-se claramente um abrandamento da procura». Esta redução foi sentida na empresa de fiação sobretudo nos primeiros três a quatro meses do ano, a que se seguiu uma recuperação, revela ao Jornal Têxtil. «O mercado continua em baixa, mas, no caso específico da Inovafil, porque tem uma diversidade muito grande de produtos e mercados, não tem corrido mal», explica. O objetivo neste momento é «no mínimo manter e tentar superar» o volume de negócios do ano passado, que rondou os 12 milhões de euros em produto fabricado. «Ainda estamos com essa esperança», confessa.

Rui Martins

No entanto, «estamos claramente preocupados com o futuro a curto/médio prazo devido a esta crise inflacionista que está a tirar poder de compra às famílias. Isso, inevitavelmente, afeta o negócio. Mas vamos seguir a nossa estratégia de inovação e de diferenciação de produtos e mercados», afirma Rui Martins.

No caso da Albano Morgado, depois de um «ano extraordinário» em 2022, com um volume de negócios superior a 6 milhões de euros, a procura «começa a abrandar», mas 2023 «continua a ser um ano bastante positivo» a julgar pelos primeiros nove meses, sustenta Baltazar Lopes, administrador da produtora de tecidos.

Baltazar Lopes

O mesmo não deverá acontecer no próximo ano, a julgar pelos indícios sentidos neste último trimestre. «Sentimos, de facto, um abrandamento da procura, o que nos leva a crer que 2024 não seja um ano tão bom como foi 2022 e 2023», indica.

A pandemia e a guerra tiveram, e em alguns casos continuam a ter, impacto nas empresas, causando, no caso da Albano Morgado, dificuldades no cumprimento de prazos de entrega, devido «a atrasos por parte de alguns dos nossos fornecedores e dificuldades na aquisição de produtos químicos auxiliares», exemplifica o administrador da empresa. «Acho que a pandemia deixou marcas na capacidade produtiva das empresas, mas apesar disso conseguimos crescer», refere Baltazar Lopes.

Susana Serrano

Também na Acatel «tivemos um ano idêntico ao de 2022 até agora», aponta a CEO Susana Serrano. «A meio de junho até início de julho, tivemos três semanas em que as coisas efetivamente quase que pararam e assustou um bocadinho, mas a verdade é que a seguir voltaram ao que estavam. Portanto, não estamos melhores, mas também não estamos piores. Estamos a conseguir manter», acrescenta.

A incerteza é, no entanto, evidente. «Não conseguimos ter uma previsão», assume a CEO da Acatel. «Andamos a jogar mês a mês, o que é extremamente difícil em termos de gestão seja de pessoas, seja financeira. Mas a verdade é que até agora não podemos dizer que estamos pior», resume Susana Serrano.

«Foram nove meses um bocado contraditórios», considera César Lima, CEO da Adalberto. «Entrámos bem no ano, tivemos um primeiro trimestre a cumprir com aquilo que eram as nossas expectativas, que eram de crescimento face ao ano anterior. Depois, a partir do final do primeiro trimestre, notámos as coisas a abrandar e aí já não conseguimos estar dentro da nossa ambição de crescimento», assume. A empresa, que se divide entre o negócio dos tecidos e os têxteis-lar, tem sentido maior abrandamento nos artigos para a casa e no negócio no mercado interno. «Felizmente, a nível do mercado externo, em que vendemos soluções mais verticais, a coisa está a correr bem, continuamos a crescer. Temos fenómenos diferentes consoante a unidade de negócio e o mercado», refere César Lima.

César Lima

Para o ano completo, o CEO espera que a Adalberto, que somou um volume de negócios próximo dos 22 milhões de euros no ano passado sem a parte das peças confecionadas, «tenha um crescimento pequeno no mercado externo de moda. O resto deverá ficar no mesmo nível do ano passado».