Empresas portuguesas na Intersèlection

A última edição da Interselèction, que decorreu entre 14 e 16 de Maio, em Paris, contou com a participação de dez empresas nacionais, que fizeram ao Portugal Têxtil um balanço moderadamente optimista deste salão. Assim, Fernando Sousa, da Novais Sousa & Cª Lda., empresa especializada no fabrico de vestuário em malha para mulher, e que exporta a totalidade da sua produção (principalmente para os Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália), diz que «a empresa está presente para cortar o middleman (intermediário) e ter um contacto mais directo e pessoal com os clientes, apresentando-lhes os nossos produtos, e destacando a sua qualidade». Ainda segundo o gerente desta empresa, «do nosso ponto vista, as feiras não servem para fazer negócio, mas sim para apresentar os nossos produtos e promover a empresa, e sob esse aspecto a nossa presença na Interselèction foi espectacular, pois ultrapassou todas as nossas expectativas, a ponto de termos oito artigos nossos seleccionados para estar no fórum de moda feminina, que é pequeno, com apenas 60 ou 70 peças». Quanto à presença da Novais Sousa & Cª Lda. em feiras, esta empresa marca lugar como expositor nos Estados Unidos e na Alemanha desde 1990 e na Interselèction há 6 anos, estando ainda presente na Moda Prima (Milão) e na CPD, em Düsseldorf, estudando também uma possível presença em Londres. Fernando Sousa afirma ainda que «a presença nas feiras exige uma grande paciência da parte dos empresários, pois os negócios não se fazem no imediato, mas sim a médio prazo». Por último, segundo este empresário «os apoios financeiros da parte do governo demoram muito tempo a chegar e o próprio processo de candidatura aos incentivos é muito complexo e burocrático». Para António Vieira, sócio-gerente da Vieira Santos & Neiva Confecções Lda., «tendo em conta o complexo contexto actual das feiras e dos mercados do têxtil e vestuário, podemos dizer que a nossa presença na Interselèction decorreu normalmente, globalmente de uma forma positiva. Tivemos a visita dos nossos clientes habituais, pois é difícil entrar em novos mercados, apesar de contarmos já com agentes em alguns países». Segundo António Vieira, nesta edição da Interselèction destacou-se a ausência de alguns dos grandes compradores internacionais, nomeadamente os dos países árabes, dos países nórdicos, de Espanha e de Itália («penso que a feira está a ter menos impacto e isso reflecte-se no número de visitantes«). Quanto à presença desta empresa em feiras internacionais, a Vieira Santos & Neiva Confecções Lda. participa na Interselèction há já alguns anos, «dado que a França é o nosso principal mercado, registando uma certa estabilidade em termos de clientes; já estivemos na FIMI (Valência), mas entretanto deixámos de participar, e neste momento estamos novamente a ponderar voltar a essa feira e também a Nova Iorque». «A nossa empresa aposta no Médio Oriente, que é onde está o grande mercado de consumidores, e em Portugal só vendemos à Sonae», conclui este responsável da referida empresa, que existe há 20 anos, e conta com duas marcas próprias, a BabyModa e a Dou Si Dou, tendo nesta Interselèction participado com a BabyModa (moda infantil dos 0 aos 24 meses), virada para os agrupamentos de moda e as grandes superfícies. Outra empresa presente nesta feira foi a Lamia – Sociedade Têxtil M.Leal, aqui representada por Ana Leal. Para esta responsável, «o balanço da presença na Interselèction foi positivo, dado que estabelecemos alguns contactos interessantes e com um bom potencial de negócio no futuro». «O perfil dos visitantes da feira é um pouco diferente de outros certames, com profissionais e pessoas interessadas nos produtos que as empresas apresentam», acrescenta Ana Leal. A mesma destacou também o fórum de tendências de moda, no qual a Lamia esteve representada por uma peça. Foi a primeira vez que esta empresa participou como expositora na Interselèction e «pretendemos continuar, até já assegurámos a presença na edição de Novembro». No que respeita à participação em feiras «estivemos uma vez na CPD e três vezes na IFEMA (Madrid), mas a presença na feira alemã é muito cara e o salão de Madrid não se enquadra bem no nosso mercado alvo», refere Ana Leal. A Lamia está no mercado português há 35 anos, fabricando vestuário para senhora, segundo um estilo clássico jovem, «estando neste momento a tentar exportar os nossos produtos, contando já com clientes no Líbano, Koweit, Espanha e Inglaterra». Para Fernanda Fialho, da Apparel Ventures Lda., empresa que participou pela primeira vez na Interselèction, «notou-se um grande desinteresse em relação ao nosso stand, uma vez que os compradores só visitaram os stands das empresas e fornecedores que já conheciam das feiras anteriores» e assim «houve da nossa parte uma desilusão em relação à presença nesta feira». A Apparel Ventures Lda. é uma empresa que vende a maior parte da sua produção às grandes superfícies e retalhistas. Da Varela & Macedo, Lda. falámos com Amélia Mendes, para quem «a Interselèction é uma feira interessante, pois serve como um ponto de encontro e de apresentação de produtos, uma vez que evita as deslocações aos clientes, servindo basicamente para estarmos junto dos nossos clientes e sempre acabam por vir mais alguns negócios». Esta empresa esteve na Interselèction uma vez há cerca de 6 anos, depois interrompeu essa presença, e há dois anos voltou a estar nesta feira, devido «à grande competitividade do mercado e à agressividade da concorrência». A Varela & Macedo, Lda. tem duas marcas próprias – a Astroland e a Babyda –ambas para bebé e criança, sendo a primeira vocacionada para o retalho (possui cinco lojas próprias), e a segunda virada para a distribuição e grandes superfícies. Por último, o Portugal Têxtil falou com Nicole Rabiet, representante da Orfama em Paris, que disse que «os clientes visitam esta feira para conhecer os novos produtos e tendências, sendo a frequência deste salão variada, e as pessoas querem conhecer as tendências, produtos e criações das empresas presentes». Ainda segundo esta colaboradora da Orfama, «o mercado de Verão é mais competitivo do que o de Inverno, pois as empresas clientes alteram as encomendas quase mês a mês e exigem muito da parte das empresas fornecedoras». Assim, «a presença nesta feira é positiva, uma vez que permite estabelecer novos contactos e manter uma continuidade na relação com os clientes mais antigos, numa perspectiva de parceria e entendimento», conclui Nicole Rabiet. Além destas empresas, estiveram igualmente representadas na última Interselèction as seguintes empresas portuguesas: António José Lopes da Costa Lda., Impetus Portugal Têxteis S.A., Indústria Têxtil A. Mendes & Filhos Lda., e Givec Lda.