Empresas pedem redução de emissões

Um grupo de 100 empresas e investidores, incluindo a Inditex, a H&M, a IKEA e a EDP, assinaram uma carta conjunta onde pedem à União Europeia para estabelecer uma meta de redução de 90% das emissões de gases com efeito de estufa até 2040.

[©Pixabay-Janusz Walczak]

Na carta aberta, coordenada pela Corporate Leaders Groups (CLG) e dirigida aos Ministros do Meio Ambiente e Clima da UE, ao Conselho Europeu, à Comissão Europeia e aos eurodeputados, os empresários, CEOs e investidores sublinham que este objetivo reflete a urgência e os benefícios das ações a curto prazo, acrescentando que uma meta robusta vai trazer oportunidades económicas e benefícios ao nível da competitividade, ao mesmo tempo que irá aumentar a segurança energética para cidadãos e negócios.

«As provas mostram que a oportunidade económica mundial resultante do desenvolvimento de tecnologias limpas é, só por si, enorme. Integrar o objetivo numa estratégia industrial abrangente, guiada por uma abordagem de “sustentabilidade competitiva”, vai permitir à UE liderar a corrida global de desenvolvimento de indústrias e ecossistemas industriais sustentáveis», sublinha a carta.

Os subscritores da carta – onde se incluem Jesper Brodin, CEO do Ingka Group (IKEA), Javier Losada, diretor de sustentabilidade da Inditex, Leyla Ertur, diretora de sustentabilidade do grupo H&M, e, de Portugal, Miguel Stilwell d’Andrade, CEO da portuguesa EDP, e Joana Borges Coutinho, diretora-geral da Sustain Azores – consideram que um objetivo sólido de redução de emissões, apoiado por um pacote «inteligente e coerente de políticas de apoio» ajudará a descarbonizar as economias e garantirá «um impulso à inovação, às oportunidades económicas e benefícios para a competitividade».

«Não há dúvida de que as alterações climáticas multiplicam os riscos que enfrentamos», afirma Ursula Woodburn, diretora do Corporate Leaders Group Europe. «Hoje, empresas e investidores estão a exigir ações decisivas e ousadas. Um objetivo de um corte de pelo menos 90% das emissões até 2040 vai evitar choques futuros e entregar a tão necessária transição energética», acrescenta.

Já Miguel Stilwell d’Andrade sublinha que «mais de 85% da energia produzida pela EDO é proveniente de fontes renováveis – isso mostra como integramos a ação climática na nossa estratégia de crescimento de negócio. A União Europeia tem sido líder mundial na ação climática e acreditamos que os líderes europeus devem continuar a ter um papel fundamental a estabelecer uma meta ousada», pelo que «combater as alterações climáticas e acelerar a transição energética continuam a ser pilares de uma estratégia europeia que vai assegurar competitividade, inovação, resiliência e segurança», conclui o CEO da EDP.

Em fevereiro, a Comissão Europeia apresentou uma proposta para que a UE adote como objetivo para 2040 uma redução de 90% das emissões líquidas de dióxido de carbono em comparação com 1990 – a mesma terá agora de ser aprovada pelos Estados-Membros e pelo Parlamento Europeu.