Empresas de vestuário apostam no serviço e na diferenciação

Com situações diferentes, dependendo do tipo de produto e do modelo de negócio, as empresas produtoras de vestuário, como a Goucam, a Orfama e a Top Trends, estão a procurar contrariar o arrefecimento no mercado com novas apostas.

Apesar de nem todas as empresas da indústria do vestuário estarem a ser afetadas da mesma forma – há até quem espere crescer este ano –, é praticamente unânime que há uma menor procura e que é necessário fazer novos esforços comerciais e investir em tecnologia para responder aos desafios e preparar o futuro.

Na Goucam, as vendas até setembro sentiram «uma redução significativa em número de peças», indica José Carlos Castanheira, mas houve «crescimento em faturação». Segundo o CEO, «todos os mercados foram afetados» e, embora a indústria tenha beneficiado «do rápido arranque no pós-covid, este ano os nossos concorrentes já entraram de novo no mercado. Houve excesso de otimismo no pós-covid e agora estamos a sofrer», considera.

José Carlos Castanheira

José Carlos Castanheira especifica que, na Goucam, os principais desafios para a empresa estão relacionados com «uma quebra muito significativa da procura a curto e médio prazo e um aumento exagerado dos custos de produção», situações que tem procurado colmatar com um reforço dos contactos comerciais e «redução da capacidade produtiva».

A curto prazo a situação não deverá melhorar, com o CEO da Goucam a antecipar, para o resto do ano, «uma quebra muito significativa, comparando com 2022». Já quanto a 2024, as perspetivas são «muito más para o primeiro semestre, com expectativa de retoma no segundo», adianta.

António Cunha

Para a Orfama, tendo em conta o modelo de negócio da empresa, que tem 50% da produção alocada a marcas próprias do grupo Montagut, ao qual pertence, e a outra metade ao private label, o momento é de consolidação. «Temos tido uma produção muito estável, pela conexão aos clientes, nomeadamente novos clientes, que permitiu criar uma estabilidade mais prolongada na empresa», acredita António Cunha, sales area manager.

Com produções agendadas para a totalidade deste ano, a Orfama está «já a trabalhar em 2024», revela António Cunha, que não deixa de sublinhar que «vivemos num mundo muito volátil, qualquer coisa pode abalar tudo e temos de tomar precauções». A empresa continua, por isso, a «fazer investimentos e a adotar novas formas de trabalhar, mais otimizadas. Temos maquinaria nova para que, através disso, possamos ter um incremento do nível de qualidade e, aumentando a qualidade, vamos aumentar a nossa margem, porque vamos atingir clientes que não era possível se não tivéssemos a tecnologia e os layouts otimizados que temos», sublinha.

Para 2023, o sales area manager da Orfama, que no private label produz para a Europa, mas também para mercados como os EUA, Coreia do Sul e Japão, antecipa um volume de negócios semelhante ao de 2022, que rondou os 7 milhões de euros. «Passámos a ter um produto com mais-valia e foi assim que crescemos», afirma.

Daniel Simões

No caso da Top Trends, que recorre à subcontratação para produzir as suas encomendas, «de uma forma global nota-se que está a haver alguma retração. Temos encomendas em carteira, vamos ver como corre», afirma Daniel Simões, diretor-geral da empresa, que admite a possibilidade de até crescer na totalidade do ano. «Se se concretizar o que está previsto, tudo o que temos em desenvolvimento, desde clientes habituais a novos, porque estão a entrar clientes novos, até acredito que vá crescer», indica.