Empresários portugueses recuperam do primeiro choque da liberalização?

O ano de 2005 terminou e com ele passou o primeiro impacto da liberalização do comércio de têxteis e vestuário. O novo ano iniciou com a recuperação das exportações para taxas de queda mais moderadas situando-se acima da redução das importações. Este resultado traduziu-se num aumento da taxa de cobertura e num abrandamento da queda do saldo da Balança Comercial da Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV). De acordo com os dados do Observatório Têxtil do CENESTAP foram exportados no primeiro mês do ano 352,2 milhões de euros de artigos têxteis e de vestuário, correspondendo a uma redução de 4,1% face ao valor homólogo de 2005. As exportações da ITV representaram 13,5% das exportações totais de bens e serviços nacionais em Janeiro de 2006. À semelhança de 2005, foi o sector do vestuário que registou a maior taxa de queda reflectindo ainda alguns sinais de adaptação face ao novo enquadramento internacional que abre as portas nos nossos mercados de exportação aos competitivos artigos asiáticos. Neste contexto, as exportações de vestuário ascendem a 233,6 milhões de euros, menos 5,4% que no período homólogo do ano transacto. Merece referência o vestuário de tecido cujas exportações não registavam um sinal positivo desde Fevereiro de 2002. De acordo com os dados provisórios de Janeiro, as vendas ao exterior cresceram 1,7% contribuindo para atenuar a taxa de queda das vendas de vestuário. Não deixa de ser surpreendente que as taxas de crescimento tenham regressado a valores positivos um ano após a liberalização do comércio internacional de vestuário (que abrangeu inúmeros artigos desta categoria) evidenciando sinais de que os empresários nacionais se começam a readaptar após o primeiro choque da liberalização. No que respeita ao sector têxtil, a informação disponível aponta para uma relativa estabilidade dos valores exportados no ano passado com as vendas ao exterior afixarem-se em 118,5 milhões de euros, menos 1,4% que em 2005. O primeiro mês de 2006 fica também marcado pela redução das importações superior às exportações o que não se verificava desde Maio de 2004. Em Janeiro, as compras ao exterior ascenderam a 246,1 milhões de euros correspondendo a uma redução homóloga de 4,9%. Para esta redução contribuíram o sector têxtil e o vestuário com taxas de redução de 4,2% e 5,8%, respectivamente. As variações descritas traduziram-se num aumento da taxa de cobertura das importações pelas exportações de 141,9% em Janeiro de 2005 para 143,1% em Janeiro de 2006.Esta informação disponibilizada em ficha informativa no portugaltextil.com