Empresa de confecções de Belmonte encerra funções

A empresa de confecções Montebela, sediada em Belmonte encerrou ontem as suas portas depois de ter sido decretada a sua falência pelo Tribunal da Covilhã. Com este encerramento, cerca de 200 funcionários perdem os seus empregos. A empresa sofria de graves falhas administrativas que foram piorando com a mudança da administração. Depois de ter tentado entrar em contacto com a empresa, o Jornal Têxtil falou com um dos dirigentes do Sindicato Têxtil da Beira Baixa, José Fernandes, que explicou que “já há muitos anos que a empresa estava em crise. Aqui na nossa região foi uma das empresas mais credenciadas, mas com o decorrer do tempo, talvez pela mudança de gerência, a situação modificou-se”. E na sua opinião, “as únicas falhas que podemos imputar à empresa são falhas administrativas”, que levaram a que a empresa fosse perdendo clientela e lucro. Com dividas avultadas para com os fornecedores e a Segurança Social, a empresa beirã deu entrada no Tribunal em Novembro de 2001 para tentar um processo de recuperação, mas todos os prazos esgotaram sem que se conseguisse uma parceria. E como era de esperar, sem qualquer outra alternativa, o Tribunal decretou a falência da Montebela. O dirigente adiantou ao Jornal Têxtil que o sindicato ainda conseguiu a entrada do projecto de recuperação no IAPMEI, mas o prazo fornecido foi também esgotado sem que fosse viabilizada qualquer parceria ou sociedade. José Fernandes acrescenta que a empresa tratou deste assunto de ânimo muito leve, e durante todo este processo de tentativa de reestruturação, o administrador da Montebela garantiu sempre que os salários não iam deixar de ser pagos e que a empresa não iria ser encerrada. O sindicato só ficou ao corrente da falência da empresa na passada Quinta-feira através do liquidatário, que adiou o prazo de encerramento até ontem, dia em que se deu o fim das actividades da empresa e o despedimento dos 200 trabalhadores. O administrador da empresa adiantou ao sindicato que esta situação será provisória, o que leva José Fernandes a suspeitar da criação de uma nova sociedade, que deverá readmitir novamente os trabalhadores. O dirigente sindical adiantou também que a Coviveste, uma multinacional alemã de lanifícios, encerrou hoje funções, deixando 40 trabalhadores desempregados. Segundo a mesma fonte, a empresa deverá pretender deslocar-se para outro país já que a mão-de-obra local deixou de ser tão barata como no inicio da sua actividade.