Emme expande oferta

Focada nas almofadas decorativas e artigos de mesa produzidos em jacquard gobelino, a Emme tem vindo a expandir a sua oferta para se adaptar às particularidades dos seus clientes, dispersos um pouco por todo o mundo.

Pedro Gomes e Belinda Ferreira

Fundada em 2009 direcionada para o mercado do souvenir português, a empresa – registada como Padrão Xadrez, mas conhecida pela marca Emme – encontrou no jacquard gobelino o seu mercado. «Estabelecemos uma parceria com uma empresa espanhola, que é neste momento a nossa única fornecedora – tem, inclusive máquinas que só trabalham para nós. Não existe em Portugal ninguém que tenha capacidade de produzir este tipo de tecido, jacquard gobelino, que é o que durante muito tempo os belgas chamavam de tapeçaria. Os belgas eram os especialistas a fazer isto, só que fazem em 100% algodão e praticamente só para museus. Começámos a escolher alguns desenhos e a experimentar no mercado nacional, só que é um artigo muito caro para o mercado nacional. Por isso, em 2015 decidimos vir a primeira vez à Heimtextil», conta Belinda Ferreira, que lidera a empresa juntamente com o marido, Pedro Gomes. «E a primeira pessoa que se sentou, abriu o livro de encomendas», acrescenta.

Essa presença, e as outras consequentes, abriram clientes como a Inditex ou a TJ Maxx, nos EUA. O mercado nacional tem também importância, sobretudo na época de Natal. «Começou a ter um boom», assinala Belinda Ferreira.

Outras épocas festivas têm ganho preponderância, da Páscoa à época das colheitas. «Começámos a ter tantos pedidos que acabámos por ceder e lançar coleções de Páscoa», indica Belinda Ferreira. Um cliente americano propôs agora o desenvolvimento de uma coleção para o Halloween. «Nunca fizemos nada, vamos tentar fazer agora», desvenda.

Os artigos, que se posicionam na gama média-alta, são desenhados em Portugal, a tela é feita em Espanha e regressa à Emme para a confeção, feita internamente ou em subcontratados na região norte. Têm igualmente preocupações sustentáveis, com a preferência por algodão BCI e poliéster reciclado. «Isso é valor acrescentado. Neste momento até já é impossível trabalhar com algumas cadeias se não se apresentarem estas certificações», reconhece Belinda Ferreira.

No total, a empresa vende para 26 mercados, de Espanha ao Japão e EUA. «Temos a vantagem de não depender de um mercado. Quando notamos que um está mais em baixo, há sempre outro que vai compensando», refere.

A flexibilidade é também uma vantagem competitiva que tem permitido navegar tempos mais difíceis. «Como não temos a obrigatoriedade de encher contentores, os nossos clientes às vezes compram quantidades pequenas, de apenas 100 peças, por exemplo. Felizmente nunca houve ninguém que não tivesse triplicado e quadruplicado a encomenda durante o ano. Baixámos as quantidades para fazermos uma gestão mais inteligente», salienta Belinda Ferreira.

Tudo isso permitiu à Emme ter «um ano bom» em 2023, com um volume de negócios que rondou os 2 milhões de euros, depois de um 2022 «excecional», realça Pedro Gomes. «2023 foi o segundo melhor ano de sempre», acrescenta, dando conta que «o último trimestre do ano passado foi o melhor trimestre de sempre e este janeiro será o melhor janeiro de sempre», graças a vários projetos novos com clientes americanos e japoneses. «O ano passado foi um ano menos bom, porque esses países não vieram. E, quer queiramos, quer não, são o motor para muitas empresas, porque são os que colocam efetivamente encomendas em volume. As pequenas quantidades deles são muito expressivas para nós. E este ano eles vieram», resume Belinda Ferreira.