Em nome da sustentabilidade

Enquanto Al Gore analisava a razão pela qual acredita que as pessoas – e as empresas em particular – precisam de se comprometer com práticas mais sustentáveis, Marc Bolland, o presidente-executivo da M&S, argumentava que as visões e os valores necessitam de ser realinhados. As empresas estão a começar a aceitar os benefícios da sustentabilidade, afirmou Bolland, mas os atuais modelos impulsionados pelo consumo – o que ele chama de “sonho americano” – vão tornar-se cada vez mais problemáticos à medida que a classe média global expande nos mercados emergentes. O comportamento ambientalista é atualmente visto como “sem graça” e não “sexy” ou insuficientemente “desejável”. E isso tem de mudar para que os modelos mais sustentáveis ganhem força, especialmente com Al Gore a estimar que, nos próximos 12 anos, a classe média mundial irá duplicar dos 2 para os 4 mil milhões de pessoas. «Esses desejos de consumo têm de ser abordados», enfatizou. Al Gore falou muito sobre a visão, sobre o que pode ser visto e o que pode ser medido. «Partimos do princípio que o que vemos é tudo o que importa», disse ao público. A velha forma de ver as coisas passa por considerar apenas o que tem um preço, prosseguiu. «Há coisas que não têm preço, mas têm valor», explicou Gore, citando a teoria do psicólogo Abraham Maslow “Quando só se tem um martelo, tudo parece um prego”. Mas, segundo o ex-vice presidente dos EUA, o meio ambiente e o emprego dos jovens, têm valor, e as empresas devem tomar medidas para reconhecer e proteger esse valor. Gore salientou que ser mais sustentável não é apenas uma questão de evitar riscos para as marcas e os retalhistas, mas uma forma de criar “valor espiritual” para os consumidores. «As pessoas querem gastar dinheiro com as empresas que os fazem sentir-se melhor consigo mesmos», sublinhou. O programa Plan A da M&S garante que os clientes compreendem o nível de cuidado e ligação com os fornecedores e os fornecedores destes, até chegar às matérias-primas – tudo o que for vendido pode ser rastreado até à sua origem, realçou Gore. A rastreabilidade e a transparência são um foco importante para o retalhista, com Bolland a revelar que, dentro dos próximos três anos, os consumidores serão capazes de descobrir exatamente de onde os seus produtos vêm. Os consumidores já podem digitalizar um código QR e obter informações sobre a peça de vestuário e os materiais de que é feita. O futuro dos jovens e as elevadas taxas de desemprego neste grupo demográfico foi outra questão destacada por Gore e Bolland. Para apoiar o futuro dos jovens, o presidente-executivo da M&S revelou que a M&S está a desenvolver esforços para levar mais jovens com idade entre os 16 e os 24 anos para o mercado laboral, através de um programa onde podem trabalhar para a retalhista durante um mês. Este programa laboral está a ser desenvolvido em parceria com as instituições Business in the Community (BITC) e Prince’s Trust. O objetivo é que 2% dos recursos humanos da M&S no Reino Unido sejam compostos por pessoas enquadradas neste pograma – cerca de 1.400 trabalhadores – e a retalhista está a apelar a todos os seus fornecedores para fazerem o mesmo. Marc Bolland acredita que se esta iniciativa for incentivada ao longo de toda a cadeia de aprovisionamento, poderá criar uma dinâmica em toda a indústria e envolver muitas pessoas.