El Corte Inglés aposta em Portugal

Portugaltêxtil – Como avalia a estreia do El Corte Inglés em Portugal? Susana Santos – Começando pela inauguração no final do ano passado, superaram-se as nossas expectativas. Foi um êxito muito grande. Tivemos a visita de muitas pessoas que já conheciam o El Corte Inglés e de algumas que não conheciam e ficaram surpreendidas com uma forma comercial diferente. Os meses seguintes foram muito bons, pelas diversas épocas à medida que as nossas campanhas se foram sucedendo. E os saldos foram fantásticos. A nossa intenção de aumentar a oferta em Portugal cumpre-se actualmente com sucesso. Por outro lado, um grande armazém arrasta consigo uma característica muito importante para as cidades que é o facto de constituir um pólo de atracção comercial. Digamos que hoje a António Augusto Aguiar, que não era nem de perto nem de longe caracterizada pela sua actividade comercial, é um centro de referencia comercial de Lisboa. PT – Mas traduz-se num aumento de concorrência? SS – Com certeza, mas quanto mais comércio existir na zona melhor para todos nós, mais pessoas virão. Aliás, grande parte dos nossos esforços em termos de comunicação dirigem-se a estrangeiros, e não é só aos que cá se encontram, é também para convencer as pessoas a vir a Portugal às compras e explicar-lhes que Lisboa é uma cidade de compras. Mesmo em Espanha divulgamos muito o produto português. O grupo El Corte Inglés é o maior distribuidor espanhol, ou até mesmo o maior da Península Ibérica. Tendo a maior superfície de venda, é a maior montra que os produtos portugueses podem ter em Espanha. Como nós continuamos a fazer a feira de produtos portugueses, está a ver o que são milhões de pessoas que durante 15 dias passam no El Corte Inglés em Espanha, nos mais de 70 armazéns, e que não ouvem outra coisa nas rádios internas, nos cartazes, nas rádios, na televisão. PT – O El Corte Inglés de Lisboa é o maior? SS- É o maior de todos em termos de área num só ponto de venda. O de Castellana é maior, mas está dividido em três edifícios PT – E quanto à presença de marcas nacionais no El Corte Inglés? SS – Nos têxteis-lar e vestuário, Portugal é o principal fornecedor, destacando-se a projecção que tem a roupa de cama nacional cá e além fronteiras. São de reconhecida qualidade os artigos da Rodrigues Guimarães, Guilherme Caldas, Piúbelle, da Pinheiro da Rosa no têxtil de banho, etc….Depois tem variadas marcas no vestuário feminino, temos uma representação de alguns estilistas nacionais e alguns casos de grande sucesso na moda jovem como a Salsa ou a Meskla, entre outras. Não queria deixar de falar das outras marcas, …lembro-me dos fatos Do Homem, por exemplo, ou da Dielmar, e ao falar destes pode parecer que eu não estamos contentes com as outras, o que não é verdade. Isto são apenas exemplos! Temos cerca de quarenta marcas nacionais na loja de Lisboa. PT – Consegue dizer-me quanto é que compram de artigos nacionais? SS – Estamos a falar de muitos milhões de contos. Não temos valores absolutos para já, mas apenas para ter uma ideia aproximada, podemos dizer que mais de 30% das compras que efectuamos são de artigos nacionais. Não é simples pois temos compras feitas por cá, e para cá pela central espanhola. Mas o que lhe posso dizer em concreto, e é o mais importante, é que o produto nacional tem muita expressão, e a tendência, pelo que temos visto neste meses, é ter cada vez mais. As marcas nacionais têm assim aqui um barómetro para a sua apresentação neste tipo de ponto de venda e uma possível passagem para o mercado espanhol, se for caso disso. Este ano foram introduzida muitas marcas nacionais e vão ser introduzida mais uma série delas. Vamos ter mais uma novidade entre dos estilistas, dos sapatos já temos várias novidades, e vamos ter uma grande campanha de produtos nacionais muito em breve. PT – Mas destacaria sobretudo o sucesso dos têxteis-lar? SS – Nos têxteis-lar é certo e sabido, até para os espanhóis, que o melhor que há no mercado é português. Eles não têm dúvidas nenhumas. E os milhares de espanhóis que vêm cá vêm procuram o têxtil-lar português, embora eles já encontrem estes produtos lá e com grande êxito. Creio que nós não temos noção da extrema qualidade do nosso têxtil-lar. Quando vou visitar amigos a Madrid ou a Barcelona, pedem-me que lhes leve toalhas. Mais do que a marca, a origem do produto neste caso é muito importante. PT – Quando se fala em moda pensa-se em Itália, e quando se fala em toalhas pensa-se em Portugal? SS – Sim. Se em Vigo perguntarem na rua de que país são as toalhas que compram, tenho a certeza que a grande maioria vai dizer Portugal. Não pelo preço, mas pela qualidade, que é para eles um dado adquirido. PT – Em relação aos estilistas qual é o balanço que fazem? SS – Estamos contentes nesta temporada com os três estilistas nacionais. Queremos introduzir mais um pelo menos, que está em vista. PT – Qual foi o impacto do desfile que fizeram no Pavilhão Atlântico? SS – Foi muito bom, tentámos fazer um desfile muito abrangente, pois tínhamos mais de 90 manequins em palco, não contando com as crianças que eram mais 30. Teve muito ritmo, tentamos apresentar desde as marcas nacionais, aos departamentos base, aos estilistas, em todos os segmentos. Queríamos mostrar às pessoas que não tínhamos um único departamento. O desfile teve um ritmo alucinante, durou 45 minutos, sempre a correr, sem pausas. PT – Qual é a sua opinião em relação ao cruzamento das marcas de vestuário com os têxteis-lar , como está a fazer a Giorgio Armani ou a Calvin Klein? SS – Cada vez mais os dois segmentos andam de mão dada. Obviamente no caso da decoração, não podem mudar tendências com tanta frequência, por razões do produto, mas acompanham-se. Há cinco anos atrás toda a moda era inspirada num estilo muito «clean», muito desprovida de cor e de artefactos, nas casas, nas montras e na roupa. Hoje em dia com o revivalismo dos anos 60 também as casas aparecem cheias de cor ou seja, cada vez mais, a moda determina a evolução de todas as outras áreas e até nas campanhas – particularizando o nosso caso – vai a todo o lado, vai à roupa da cama, às toalhas da casa de banho, aos próprios revestimentos, às cores que se usam, às carpetes, ao desenho dos móveis. PT- Já reparei na companha dos acessórios. Muitas empresas multinacionais tem rentabilizado o seu negócio pelo segmento dos acessórios e as principais publicações de moda falam cada vez mais nos acessórios… SS – Os acessórios são um parte integrante da moda. Aliás, tivemos recentemente uma campanha denominada o festival dos acessórios com desfiles três vezes por dia e que tiveram têxtil envolvido, obviamente. E os acessórios nacionais têm tido sucesso. PT – Que projectos para o futuro nos pode adiantar? SS – Trabalhar na excelência do serviço, e na atenção ao cliente. Vamos continuar a introduzir cada vez mais as marcas nas quais acreditamos, pela excelência do produto, seguindo sempre os três conceitos basilares de serviço, qualidade e garantia. Os serviços são uma componente muito importante do El Corte Inglés. Um grande armazém, se me permite a expressão, não é para passar tempo, é para poupar tempo. Está localizado no centro da cidade, porque é uma loja de características urbanas e é uma loja grande onde se supõe existir de tudo para facilitar a vida às pessoas. Quando eu digo que tem de tudo, tem desde o vestuário, ao supermercado, decoração, oficinas de automóveis, a cabeleireiro, ao sapateiro, às lojas das chaves, aos arranjos da roupa, à florista, aos telemóveis, à agência de viagem, aos seguros, aos correios, tem tudo. PT – E vai haver o El Corte Inglés do Porto? SS – Posso dizer que é um grande objectivo do El Corte Inglés. Não será exactamente igual ao de Lisboa po