Ecologia no centro da ISAF

A Intertextile Shanghai Apparel Fabrics (ISAF) cresceu muito desde as suas origens humildes, em Pequim, há 15 anos atrás, quando tecidos para vestuário e os têxteis-lar eram mostrados em conjunto. Agora, a mostra de tecidos para vestuário decorre duas vezes por ano: em Pequim no mês de Março e em Xangai no mês de Outubro, enquanto que os têxteis-lar são exibidos separadamente, em Agosto. Com a China a liderar o mundo na saída da recessão, os expositores estrangeiros expressaram o seu optimismo sobre as vendas na região. «Não há nenhuma dúvida aqui, o mercado está a crescer e o sentimento é positivo. A feira está a ficar cada vez mais sofisticada», afirmou Andreas Dorner da Lenzing Fibres. Huseyin Kavrak, representante do produtor turco de tecidos Yünsa, revelou que a empresa quer fazer da China um dos seus principais mercados, sublinhando o aumento de rendimento disponível da população e o desejo de qualidade. Embora as vendas da empresa para a China tenham aumentado entre 25 e 30% desde a criação de um escritório de vendas em Xangai, há três anos atrás, Kavrak referiu que o crescimento do mercado é lento e que as empresas precisam entender a dinâmica do país. Foco na ecologia A ecologia e a sustentabilidade dominaram nos stands e nos seminários. A estratégia EcoFlying da Libolon, uma empresa de Taiwan, oferece uma abordagem completa à sustentabilidade para a indústria têxtil. As práticas de produção amigas do ambiente produzem eco-têxteis a partir de tecidos e têxteis reciclados. O conceito sustentável está gradualmente a ser incorporado na sua cadeia de aprovisionamento na China e, a partir de 2010, pretende reciclar os produtos que produz. O foco da empresa na redução do consumo de matérias-primas não é impulsionado por marcas internacionais, mas pela sua crença de que a produção ecológica e socialmente responsável é o caminho a seguir para a indústria. O caminho para as marcas Todos os três oradores do seminário internacional de marcas/retalhistas também abordaram a sustentabilidade como o caminho a seguir para as suas marcas. «A Wal-mart fixou a meta de fornecer 100% vestuário sustentável até 2012. Vamos trabalhar com os fornecedores para conseguir isso, mas a um preço acessível aos consumidores», afirmou Chen Chieh, director de tecidos do retalhista norte-americano. A sustentabilidade na cadeia de valor da Adidas envolve a melhoria das condições de trabalho nas fábricas fornecedoras, redução do impacto ambiental das suas operações de aprovisionamento e cuidar do bem-estar e desenvolvimento dos seus colaboradores. «A missão corporativa do Adidas Group não é apenas ganhar dinheiro, mas também possuir uma prática empresarial responsável», revelou Karin Ekberg, director dos serviços ambientais. A empresa foi listada no Dow Jones Sustainability Index desde 2000, no FTSE4Good Index Europa desde 2000, no Ethibel índice desde 2003 e no Global 100 Most Sustainable Corporations desde 2005. Tal como a Adidas, a H&M não tem fábricas, mas utiliza cerca de 700 fornecedores de todo o mundo. O retalhista sueco integra a responsabilidade social nas suas práticas de negócios «não para agradar aos outros ou para dar bom aspecto, mas porque é a nossa política», explicou Erick Carlborg. Todos os fornecedores devem assinar o código de conduta da empresa e passar por uma auditoria antes da produção começar. «Trata-se de melhoria contínua. Tem que haver um nível razoável de confiança para construir uma parceria, mas temos tolerância zero para com documentos falsos e violação dos direitos básicos do trabalhador», concluiu o responsável.