O que é que provavelmente irá acontecer quando as quotas aplicadas sobre as importações da China forem eliminadas no final de 2007 na UE e no final de 2008 nos EUA? Ninguém sabe ao certo, nem pode saber, conforme nos explica Mike Flanagan num artigo desenvolvido para o just-style.com. Tentar prever de que forma as possíveis, mas incertas medidas poderão afectar o fluxo comercial é um verdadeiro "tiro no escuro". De acordo com Ben Franklin, «neste mundo nada é certo, a não ser a morte e os impostos», ficando apenas por saber quando e como se concretizarão. Em relação aos impostos, os governos vão fazer os possíveis para garantir o máximo de incómodo ao máximo de pessoas. No entanto, as pessoas na indústria de vestuário insistem em acreditar que os governos possuem um «grande plano» para acontecimentos futuros, que este "grande plano" vai ser cumprido e que alguém, algures, sabe que plano é este. Os EUA e a UE nunca possuem planos concretosEm 2005, diversos directores de empresas têxteis queriam conseguir maior protecção em relação aos concorrentes externos e diversos políticos e responsáveis públicos concordaram com eles. Em simultâneo, diversos retalhistas e importadores de vestuário (grupos de interesse de outras indústrias) queriam que fosse mais fácil importar artigos estrangeiros e também neste caso, diversos políticos e agentes oficiais concordaram com eles. Perto de 300 milhões de consumidores queriam artigos de vestuário mais económicos, e quase todos os políticos os apoiariam se tal lhes trouxesse votos. Ao mesmo tempo que estas forças se desenvolviam, a administração norte-americana e a Comissão Europeia queriam manter as boas relações com a China, apoiados por diversos políticos e grupos de interesse ainda mais duros e melhor sustentados do que as empresas têxteis. Portanto, o que estava em causa não eram os planos existentes em algum gabinete oficial, o que estava em causa era como conseguir gerir todas estas pressões contraditórias, o que torna a situação muito imprevisível. No entanto, os princípios que estavam na base da forma como estas pressões foram geridas em 2005 vão aplicar-se novamente da próxima vez que estas pressões surgirem. Primeiro principio: as regras vão ser cumpridas à risca. No âmbito da forma como estas questões foram geridas em 2005, todos os intervenientes seguiram as regras à risca. Os EUA e a UE podiam impor apenas um número limitado de medidas proteccionistas, foram definidos procedimentos para a revisão e a aplicação destas medidas e estas podiam apenas ser empregues após evidência de um aumento significativo das importações. Segundo princípio: nas negociações internacionais, o importante é ficar por cima. Para além de seguirem as regras à risca, por mais intenso que fosse o debate entre pessoas que queriam proteger os produtores de têxteis norte-americanos e as pessoas que queriam proteger outra coisa, a partir do momento que o sistema norte-americano acordou a imposição de restrições sobre a China, não havia hipótese alguma de que as restrições norte-americanas fossem menos severas dos que as comunitárias. Esta posição é fundamentada pelas declarações feitas ao just-style por um dos principais responsáveis negociais norte-americano. Terceiro principio: os governos nunca aprendem. A imposição por parte da UE de tarifas anti-dumping sobre o calçado, em 2006, foi tão mal planeada e implementada quanto as quotas sobre o vestuário de 2005. Estes mesmos princípios vão ser aplicados quando a actual ronda de quotas for eliminada no final de 2007 e no final de 2008. EUA e UE nunca chegarão a acordoPara se poder prever quais as medidas que vão ser implementadas, seria necessário começar por saber qual o grupo de interesses que vai ser mais poderoso. Neste momento os proteccionistas estão provavelmente a ultrapassar os defensores do comércio livre, mas quem sabe quanto à frente estarão ou quem vai dar a quem quais concessões? Quem quer que afirme que consegue prever as regras em 2009, está apenas a dar "tiros no escuro". Na segunda parte deste artigo vão ser analisadas, com maior pormenor, as tendências de orientação e as opções que poderão estar na base de uma decisão para 2008 e 2009.










