Diversificação é palavra de ordem na Lima & Companhia

A empresa, que é vertical a partir do fio, está empenhada em encontrar novos clientes e explorar mais mercados, incluindo do outro lado do Atlântico, para impulsionar o crescimento no futuro.

Márcia e Catarina Cortinhas

Os anos «difíceis» que têm afetado a indústria têxtil parecem estar para ficar, mas não abalam a convicção da Lima & Companhia, que tem mantido o rumo traçado há alguns anos. «Sentimos as dificuldades que toda a têxtil tem sentido, mas continuamos cá, fincados», garante Márcia Cortinhas. Contudo, reconhece a diretora comercial da empresa, «são anos que não nos trazem estabilidade para conseguirmos programar a longo prazo. Obrigam-nos a programar a curto prazo e, para quem gere uma empresa, é muito mau. Estamos sempre a ver o que vai acontecer, porque a procura está sempre a alterar em demasiado e num curto espaço de tempo, não nos dá margem para fazer investimentos. Temos de gerir muito o dia a dia», assume.

A estratégia delineada há cerca de sete anos tem sido vital para contornar estes desafios, acredita. «Fomos diversificando os clientes», resume Márcia Cortinhas. «Éramos uma empresa com uns cinco clientes e passamos a ser uma empresa que tem 40 clientes. A nossa ideia é sempre aumentar o número de clientes que temos, em mercados diferentes, para, em alturas diferentes, quando a procura cai nuns, podermos manter-nos noutros. Se todos estivessem bem, estávamos perfeitos. Neste momento não estamos perfeitos, mas temos mercados para nos sustentar», justifica.

Para isso, a Lima & Companhia, que emprega 190 pessoas e em 2023 registou um volume de negócios de 5 milhões de euros, tem apostado em feiras internacionais, em mercados como França, Alemanha e Reino Unido. O próximo passo poderá ser a presença numa feira nos EUA. «Já andámos a falar do mercado americano há alguns anos. Entretanto, conjunturas fizeram-nos adiar esse projeto. Toda a gente nos diz que o mercado americano funciona de uma maneira diferente, que é preciso mais agentes, mas acho que temos de ir. Não faço ideia como será a primeira feira, mas indo, teremos uma melhor perceção e poderemos preparar-nos melhor», salienta a diretora comercial.

A Lima & Companhia está igualmente a repensar a marca própria Ethnic Blue – que, ao contrário do negócio de private label, está já nos EUA e no Canadá –, uma vez que, cada vez mais, tem funcionado como proposta para outras marcas. «A nossa marca própria, na altura, foi criada para o retalho. Neste momento, deve ser 60% para o private laberl e 40% para lojas multimarca», revela Márcia Cortinhas. «É o grande desafio que temos agora, adaptar a marca para novas versões», aponta.

As questões da sustentabilidade não têm passado ao lado da empresa, que há vários anos emprega matérias-primas orgânicas e recicladas. «Podemos fazer um conjunto de malhas diferentes, sustentáveis e com materiais orgânicos, se o cliente assim quiser», explica a diretora comercial. «Começámos esta estratégia há 11 anos e continuamos focados em melhorá-la – achámos que é o caminho», acrescenta. No entanto, há ainda entraves, nomeadamente nas garantias que pode dar sobre os produtos. «Posicionámo-nos numa gama média-alta, pelo que o pós-venda é extramente importante. Num algodão reciclado e num algodão virgem não posso dar as mesmas garantias. Quando o cliente tem essa perceção, está tudo certo. Mas muitas vezes, talvez 80% das vezes, o cliente procura um artigo em que a durabilidade é o mais importante», indica.

A Lima & Companhia tem ainda acompanhado, com alguma apreensão, a legislação que tem sido proposta e aprovada na UE, sobretudo por receio de que a mesma não se aplique também a quem vende na Europa. «Cada vez fazemos melhor, mais sustentável, e mesmo assim não chega, temos que ir sempre mais além. E o mesmo não é exigido ao resto do mundo. É uma preocupação para nós porque, sendo verticais, a legislação acarreta custos demasiado elevados e, como tal, podemos perder competitividade nos nossos preços», conclui.