O VoxeLite é, de acordo com os investigadores da Universidade Northwestern, o primeiro dispositivo háptico a alcançar a «resolução humana», igualando a capacidade sensorial da ponta de um dedo. Descrito como flexível, leve e confortável, o dispositivo envolve o dedo como um penso, permitindo sentir texturas e padrões virtuais em superfícies lisas.
«O tato é o último grande sentido sem uma verdadeira interface digital. Temos tecnologias que fazem as coisas parecerem e soarem reais. Agora, queremos que as texturas e as sensações táteis se sintam reais. O nosso dispositivo está a aproximar o campo desse objetivo. Também o projetámos para ser confortável, para que as pessoas possam usá-lo por longos períodos sem precisar de o remover para realizar outras tarefas. É como as pessoas que usam óculos o dia todo e nem pensam neles», explica Sylvia Tan, líder da investigação.
O trabalho, publicado na revista Science Advances sob o título “Toward human-resolution haptics: A high-bandwidth, high-density, wearable tactile display”, combina resolução espacial, ou seja, a capacidade de distinguir detalhes muito próximos, e resolução temporal, que permite percecionar variações rápidas no tato, com um formato vestível.

«Este trabalho representa um grande avanço científico no campo da háptica, ao introduzir, pela primeira vez, uma tecnologia que alcança a “resolução humana”. Tem a capacidade de apresentar informações hápticas à pele com a resolução espacial e temporal do sistema sensorial», sublinha J. Edward Colgate, coautor do estudo.
Em testes com utilizadores, os participantes identificaram padrões direcionais com uma precisão de até 87% e reconheceram têxteis reais, como couro, felpa e bombazine, com 81% de precisão. O dispositivo também pode funcionar em modo passivo, sem interferir com o tato natural durante as atividades quotidianas.
«O que torna isto mais entusiasmante é a combinação da resolução espacial e temporal com a usabilidade. As pessoas tendem a concentrar-se num desses três aspetos, porque cada um deles é um desafio muito difícil. O nosso laboratório já resolveu a questão da resolução temporal com a eletroadesão. Então, o meu desafio foi torná-la espacialmente distribuída e usável. Levou algum tempo para chegarmos a esse ponto. Agora, estamos a realizar estudos para entender como os seres humanos realmente recebem e percebem essas informações táteis», revela Sylvia Tan.
No futuro, a equipa acredita que o VoxeLite poderá ser integrado com smartphones e tablets, transformando ecrãs planos em interfaces texturadas, com aplicações que vão desde compras online mais realistas, permitindo sentir a textura dos têxteis antes da compra, até mapas táteis para pessoas com deficiência visual.




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