Discussão saudável sobre moda

Alertar para modificar os preconceitos inerentes à moda foi a ideia subjacente à conferência realizada na Escola de Negócios de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos da América, que contou com a presença de Anna Wintour, a directora da Vogue americana, o designer Michael Kors e a top-model Natalia Vodianova. O evento contou com uma assistência de cerca de mil pessoas e conseguiu angariar 150 mil dólares para o Centro Harris, uma clínica dedicada ao tratamento de doenças alimentares, localizada no Hospital de Massachusetts. «As modelos estavam tão assustadas com uma possível descriminação e com a possibilidade de não conseguirem obter trabalho na área, que tinham dificuldade em expor o que se estava a passar na indústria da moda, em termos de problemas alimentares», afirmou Anna Wintour ao Boston Globe, acrescentando ainda que «a criação de leis para combater os distúrbios alimentares foi um primeiro passo, para que as modelos começassem a falar dos seus problemas e, por consequência, começassem também a combatê-los». De igual forma, o discurso de Michael Kors foi bastante importante, uma vez que o criador de moda há muito que se comprometeu a não trabalhar com modelos menores de 16 anos, na esperança de manter, segundo o próprio alguns padrões éticos. «Sou totalmente contra a exploração infantil, que leva muitas vezes, a que modelos menores de 18 anos não tenham o discernimento de não ser influenciadas para dietas extremas ou problemas semelhantes», explicou o designer, acrescentando ainda que «as modelos extremamente jovens deveriam ser a excepção e não a regra. Obviamente que sempre existiu uma Twiggy ou uma modelo extremamente jovem. No entanto, nos dias de hoje, esta passou a ser uma prática comum e é algo que vejo como um grave problema». Uma opinião partilhada pela top-model russa Natalia Vodianova. «O sentido de auto-estima das manequins extremamente jovens, é muitas vezes rebaixado por um grupo de pessoas que apenas tem em consideração o dinheiro que poderá ganhar com essas modelos. Devido à tenra idade de muitas dessas manequins, estas desenvolvem muitas vezes distúrbios alimentares porque não se apercebem que são tratadas como um negócio e não como seres humanos», referiu Vodinova. No entanto, para Michael Kors, a indústria da moda já começa a acordar para o problema e a mudar de atitude. «Acredito que a indústria da moda está a dirigir-se novamente para as mulheres reais. Isto porque o público-alvo das criações da maioria dos estilistas é mulheres acima dos trinta anos. Para venderem as peças, o visual tem de coincidir com a realidade», concluiu Michael Kors.