Digi4Fashion revela tendências

O digital está a transformar rapidamente a forma como consumimos e interagimos com a moda. Cadeia de aprovisionamento digitalizada e customização são algumas das tendências compiladas pelo Digi4Fashion.

Helena Moura

«A moda digital já não se limita apenas ao comércio online. Ela abraça diversas tecnologias, incluindo realidade aumentada, realidade virtual e inteligência artificial, criando experiências únicas para o consumidor», explicou, numa intervenção na última edição do Modtissimo, Helena Moura, diretora de transição digital no CITEVE. Esta fusão tecnológica, referiu, está a mudar a forma como nos comportamos no mercado da moda, substituindo o conceito tradicional de compra física por uma experiência digital integrada.

A responsável do Polo de Inovação Digital da Moda (Digi4Fashion), apontou cinco tendências que vão marcar o futuro e para as quais as empresas têm de se preparar, nomeadamente a inteligência artificial, a digitalização da cadeia de aprovisionamento, a personalização, as compras imersivas e a Internet das Coisas

Em 2023, a inteligência artificial tornou-se um assessor indispensável tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Helena Moura destacou que «2024 pode ser o ano em que a tecnologia alavanque todo o processo de infraestrutura de trabalho», especialmente na personalização e recomendações de moda baseadas nos gostos pessoais dos consumidores.

No caso da cadeia de aprovisionamento, a transparência revela-se cada vez mais crucial. As etiquetas inteligentes e o Passaporte Digital do Produto serão fundamentais para rastrear a produção desde a origem até ao consumidor final, promovendo a sustentabilidade e a transparência no processo.

A personalização é igualmente uma tendência crescente na indústria da moda. Os consumidores procuram produtos exclusivos que reflitam a sua individualidade. Helena Moura sublinhou que «a tecnologia permite criar experiências de compra únicas e personalizadas, que não só beneficiam o consumidor, mas também a indústria, ao facilitar a produção à medida», reduzindo, consequentemente, o desperdício.

A realidade aumentada e virtual estão, por seu lado, a permitir a criação de provadores virtuais, onde os consumidores podem experimentar peças digitalmente antes de comprá-las. «Esta tecnologia continuará a crescer, proporcionando experiências imersivas que ajudam os consumidores a tomar decisões informadas sobre as suas compras», explicou Helena Moura.

Por último, a Internet das Coisas permite não só que as empresas partilhem dados e melhores a gestão do inventário, aumentando consequentemente a eficiência e a produtividade, como também pode contribuir para melhorar a experiência do cliente.

Para enfrentar os desafios da moda digital, Helena Moura sugeriu que as empresas avaliem a sua maturidade digital e invistam na formação dos seus colaboradores. «A tecnologia e o ser humano devem trabalhar em conjunto», sublinhou, destacando a importância de consolidar parcerias com clusters de inovação, como o Digi4Fashion, e aproveitar os fundos financeiros disponíveis para alavancar soluções tecnológicas.

«É fundamental que as empresas adotem uma estratégia digital sólida, invistam em tecnologia e formação, e aproveitem as oportunidades de financiamento e inovação disponíveis», concluiu Helena Moura.