A Bulgária, novo membro da União Europeia desde 1 de Janeiro, encontra-se localizada no extremo sudeste da Europa, entre a Roménia e a Grécia. Com uma superfície de 110.910 quilómetros quadrados ocupados por cerca de 8 milhões de habitantes este país tem atravessado um período de prosperidade económica desde a queda do comunismo, em 1996. Em particular, nos últimos 5 anos, o seu PIB têm aumentado, em média, 5% ao ano.A indústria têxtil e de vestuário (ITV) búlgara conta com 2.500 empresas, com uma dezena empregando mais de 1.000 pessoas por empresa. Segundo a Baatpe, a associação de produtores e exportadores de têxteis e vestuário búlgara, o sector é o empregador nº 1 do país. Em 2005, a número de assalariados neste sector ascendia a 177.155 (-7% que em 2004), com 81% assinado ao vestuário. Uma grande parte da produção, cerca de 80% em 2005, é exportada.As categorias de produtos têxteis mais importantes são os tecidos algodoeiros (60 milhões de metros quadrados por ano), as cobertas (300 milhões de peças), as meias (30 milhões de pares) e o vestuário exterior (22 milhões de peças).Segundo os dados revelados pela Euratex, a produção têxtil búlgara cresceu 123% entre 2000 e 2005, enquanto que a do vestuário cresceu 89%. Este crescimento da produção de vestuário resulta essencialmente da subcontratação, que constitui estes últimos anos entre 80 a 90% do volume de produção. Actualmente, as confecções búlgaras, maioritariamente jovens empresas, impulsionam este tipo de actividade um pouco por força das circunstâncias: ausência de marcas e um mercado fraco.A agência InvestBulgaria, situada em Sófia, cita importantes marcas estrangeiras como clientes do país nas áreas do jeanswear – Levi Strauss, Diesel e Esprit, do pronto-a-vestir feminino – Camaïeu, Prada, Max Mara e Mango, no pronto-a-vestir masculino – Brice, Zara, Armani e Hugo Boss. As empresas búlgaras trabalham também para a Etam, Benetton, Cortefiel e Mexx, entre outras marcas internacionais. Em 2006, na localidade de Pleven, a norte do país, uma nova empresa começou a produzir para a Gianfranco Ferrè, Cerruti e Calvin Klein. Os contactos directos entre os fornecedores e os clientes são todavia raros. As encomendas surgem frequentemente através de sociedades intermediárias. Em 2005, os investimentos por trabalhador do sector têxtil e do vestuário atingiram, respectivamente, 1.961 e 539 euros, um nível comparável ao dos 10 novos países membros da UE. A produtividade média manteve-se todavia baixa. Em 2005, o volume de negócios por trabalhador cifrou-se em 15.688 no têxtil e 6.244 no vestuário.Os salários reais não acompanham a evolução da produtividade. Entre 2000 e 2004, a produtividade no vestuário aumentou de 42%, enquanto que os salários aumentaram apenas 4%. Em 2005, o valor das exportações têxteis e de vestuário búlgaras cifrou-se em 1,7 mil milhões de euros, dos quais 82% em vestuário. A UE absorve 75% do total. As calças, camisas de algodão, casacos de lã para senhora, malhas, pullovers e as t-shirts de algodão são os produtos mais exportados. Os principais destinos das exportações búlgaras são a Grécia (314 milhões de euros em 2005), a Itália, Alemanha (308 milhões de euros cada um) e França (171 milhões de euros).As importações de produtos têxteis incluem sobretudo fios, tecidos e acessórios destinados à indústria do vestuário, que está longe de encontrar na indústria têxtil do país tudo aquilo que necessita. Em 2005, as importações de têxteis e de vestuário atingiram os 1,36 mil milhões de euros, dos quais cerca de mil milhões provieram da Europa. As importações de vestuário (357 milhões de euros) tiveram como países de origem a Grécia, a Turquia, a Alemanha e a França.No entanto, o mercado búlgaro é modesto. Em 2005, o PIB por habitante atingiu os 2.771 euros. Graças ao aumento dos rendimentos, as compras de têxteis, vestuário e artigos de couro duplicaram entre 2000 e 2005. O mercado encontra-se essencialmente nas mãos de pequenos retalhistas, na sua grande parte de carácter familiar. Alguns produtores búlgaros estão a criar a sua própria rede de lojas, como é o caso do fabricante de vestuário desportivo Diel com a insígnia Sportissimo. Os grandes actores da distribuição europeia também começam a interessar-se por este pequeno país. A cadeia alemã Metro já marca presença no mercado. E no final de 2008, o Carrefour e a Ikea far-lhe-ão companhia.As previsões a curto prazo são animadoras para a ITV búlgara. O nível de produção e o volume de encomendas mantiveram-se estáveis em 2006. Nos primeiros oito meses do ano transacto, as exportações de têxteis para a UE aumentaram de 21,6% e as de vestuário de 8,7%. Segundo Keneth Lefkovitz, presidente da Câmara de Comércio Americana na Bulgária, muitos investidores europeus esperaram a entrada da Bulgária na UE, que à partida eliminará uma série de problemas alfandegários e de IVA. Apesar dos industriais apresentarem o país como a solução "resposta rápida" para a Europa, complementar das importações chinesas lentas e massivas, o futuro do sector a médio prazo é incerto. Massimo Bartocci, director-geral da Miroglio Bulgarie, considera que muitas confecções deverão urgentemente adaptar as suas estruturas actuais de forma a serem capazes de apresentar rapidamente amostras e preços. Em seguida, a ITV búlgara tem pela frente uma mutação difícil, pois deverá passar do estatuto de subcontratada ao aprovisionamento autónomo de matérias-primas e acessórios, ao estilismo, à logística e à criação de marcas.Um outro problema será o aumento dos salários, na sequência da adesão à UE. Em 2005, a empresa de vestuário turca Menderes Tekstil fechou as portas da sua unidade em Svilengrad, na Bulgária, após 3 anos de actividade e um investimento de 1,5 milhões de euros. Segundo a empresa turca, a filial búlgara, que empregava 200 pessoas, deixou de ser rentável, e o grupo pretende agora deslocalizar a produção para uma das ex-repúblicas da URSS.










