Deslocalização produtiva também afecta a Espanha

Não é apenas em Portugal que se assiste à deslocalização de empresas para outros países com menores custos industriais, ou à cessação da subcontratação da produção nacional optando-se pela contratação em países com custos mais reduzidos. Também a Espanha também tem sentido estas questões, com o encerramento e a deslocalização da produção de diversas empresas multinacionais com capacidade produtiva instalada em solo espanhol.

 

Apenas nos primeiros 15 dias de Janeiro, duas multinacionais, a Samsung e a Philips, anunciaram o encerramento das suas fábricas em Espanha. Para além destas, a Panasonic decidiu construir o seu novo aspirador na China e a Nissan ameaça abandonar as suas instalações da Zona Franca de Barcelona. È a crise de um modelo industrial provocada pela deslocalização da produção, à procura de lucros maiores e de salários mais baixos.

O encerramento da Samsung, em finais de Março, vai provocar o despedimento de 446 trabalhadores e a deslocalização da produção para unidades industriais localizadas na Eslováquia e na China. O encerramento desta unidade industrial surge apesar dos lucros líquidos de 10,3 milhões de euros registados em 2002, da classificação no primeiro lugar de produtividade do grupo, e dos 3,458 milhões de euros de ajudas públicas que recebeu.

Os encerramentos verificados e a potencial deslocalização de outras unidades produtivas, tem fomentado o debate sobre a responsabilidade social que está associada ao investimento estrangeiro que beneficia de medidas especiais e apoio financeiro. Para além da questão ética, tem surgido o debate sobre o modelo industrial espanhol em geral e o catalão em particular, que está especializado na produção de bens que estão caducos desde meados dos anos 90, de acordo com a opinião de Santiago Becerra, catedrático de Estrutura Económica da Universidade Ramón Llull.

A deslocalização não afecta apenas as multinacionais, mas também as empresas espanholas em sectores específicos. De acordo com o Público, Juan Canals, presidente da patronal têxtil de Espanha, recomendou às empresas que desloquem a sua produção «preferentemente para países da área do Mediterrâneo, para se adaptarem às novas condições de mercado». Canals traçou um quadro sombrio para o sector que em 2003 perdeu 7.000 postos de trabalho e que até 2010 estima que perderá mais 72.000 postos de emprego. De acordo com Canals, «Com a sua entrada na Organização Mundial do Comércio, a China pode transformar-se na grande fábrica do mundo».