Deslocalização prejudica ITV

O Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios e Vestuário alerta para o facto de 30 empresas do sector têxtil estarem em dificuldades e cerca de 2500 postos de trabalho em perigo. O Sindicato calcula ainda que nos últimos três anos, cinco mil trabalhadores da indústria ficaram sem emprego, tendo que procurar trabalho fora desta área, noticia o Diário de Notícias. Os salários baixos têm sido a “mais-valia” de um sector que não conseguiu criar uma marca própria nem se tem conseguido impor no mundo da moda. Estes são, segundo os sindicatos, os principais problemas do sector. No que diz respeito aos baixos salários, há já algumas alternativas, assistindo-se assim a uma deslocalização progressiva de empresas para outros países. Fátima Carvalho refere ao DN que «os empresários entenderam que a galinha dos ovos de ouro está nos países de leste e decidiram deslocalizar para lá». A esta situação, os patrões responderam que apesar deste ser ainda um fenómeno muito pontual em Portugal, tem um grande incremento a nível mundial, tendo por essa razão tendência a acelerar nos próximos anos. Este facto deve-se, segundo Luísa Santos, directora de relações exteriores da APT – Associação Portuguesa de Têxteis e Vestuário – não só à redução de custos, mas a «casos em que as empresas de confecção se vêm forçadas a seguir os seus clientes da área têxtil, que optam por mudar de país. Há também deslocalizações que se destinam a abastecer mercados longínquos e de grande potencial» e ainda casos de empresários que têm adiado esta decisão, porque «ninguém gosta de despedir trabalhadores», mas que acabam por não ter outra solução. «Ou deslocalizam, ou encerram mesmo». Adão Teixeira, dirigente nacional do sindicato, condena a falta de formação dos empresários portugueses e o pouco investimento em marketing, comercialização e modernização das empresas. Afirmando mesmo que a crise é causada pela deficiente gestão das empresas e não por efectivas dificuldades de implantação dos produtos. No entanto, Luísa Santos contesta afirmando ao DN que «por muito que se invista em design e marcas, a pressão concorrencial é muito forte a nível mundial, especialmente por parte da China que gera uma tendência de redução dos preços dos produtos que tem, necessariamente, de ser acompanhada de uma redução de custos». Admitindo que há ainda muitas questões a melhorar, especialmente a nível de formação profissional e de organização e gestão das empresas, a directora das relações exteriores põe totalmente de lado o facto do problema se dever a questões de marketing ou de moda. «A Itália tem uma imagem reconhecida nessa área e também não escapou ao fenómeno da deslocalização». Para Luísa Santos esta situação não significa que a confecção esteja condenada a desaparecer da Europa. «Não creio que deixemos de ter indústria. Há segmentos, nomeadamente a nível das pequenas séries, em que o factor preço não é tão importante e que terá de se manter na Europa para fazer face às encomendas mais urgentes». Preocupada também com a situação do sector têxtil e com o possível aumento das falências e da taxa de desemprego, está a Federação da Indústria Têxtil e Vestuário, para quem a solução passa pela flexibilização urgente das leis laborais, no sentido de «prevenir que a concorrência desleal dos países terceiros inviabilize esta indústria». O presidente da Federação, José Robalo, disse ao DN que esta flexibilização não é sinónimo de despedimentos, dado que «não podemos funcionar sem trabalhadores.» Mas precisamos de dotar a economia de legislação que permita às empresas serem competitivas e terem capacidade de se adaptarem às leis do mercado».