Design sem fronteiras na Paulo de Oliveira

A criatividade fervilha na Paulo de Oliveira, a produtora de tecidos laneiros do grupo epónimo, em prenúncio da próxima estação quente.

Na tecelagem joga-se na antecipação e o tempo conjuga-se no futuro, da primavera-verão 2017. Em destaque como matéria-prima surge o linho, numa coleção também pontuada de «novos acabamentos, muitos tecidos elásticos e artigos tridimensionais», revela o administrador Paulo Augusto Oliveira ao Jornal Têxtil (edição de abril de 2016). «Vários clientes italianos disseram que era a melhor coleção de tecidos para casacos que estava lá [na Milano Unica]», acrescenta.

Este enfoque no produto, em que a imaginação ganha asas, já se vinha a vislumbrar nas últimas coleções e o retorno não se fez esperar. «O volume de negócios da empresa aumentou 15% em 2015», afirma o administrador. «Temos apostado cada vez mais no desenvolvimento das coleções, em melhorar o produto, com qualidade cada vez mais elevada», explica. O que tem possibilitado a entrada da principal empresa do maior grupo laneiro da Europa «em cada vez mais clientes de valor acrescentado».

A superação de barreiras no design tem sido o passaporte da Paulo de Oliveira para cruzar fronteiras na geografia. «Estamos a vender muito bem na América do Norte e na Ásia. Aliás, registámos um grande crescimento no mercado asiático, mais de 30%, numa altura em que está a retrair-se», destaca Paulo Augusto Oliveira. «A melhoria do produto também permitiu crescer na Europa», refere ainda. No total, são mais de 500 clientes pelo mundo, um número que representa igualmente o atual efetivo da empresa, depois da criação de 40 postos de trabalho no ano passado.

Este crescimento global está, todavia, a ser travado pela atual disposição dos fundos comunitários no âmbito do Portugal 2020, que deixa de fora o apoio à internacionalização para as grandes empresas, assim como pelas sucessivas subidas de impostos. «O aumento da nossa taxa de ocupação de subsolo, que não é igual para todos os concelhos, é maior do que o aumento do salário mínimo», exemplifica. «Não podemos ter custos da energia, impostos, tudo a subir ao mesmo tempo, erodindo as margens que deveriam servir para investir», advoga o administrador da Paulo de Oliveira.