Depois de centenas de anos de kimonos e da recente adopção do vestuário ocidental, o Japão é agora um dos mais importantes exportadores da moda ocidental, enviando versões superiores das modas e de têxteis para o local de onde vieram. A obsessão recente com o denim assegura um mercado lucrativo graças aos exigentes consumidores.
A Evisu, cujos jeans se vendem a cerca de 400-1,600 dólares o par, e empresas como esta que se especializaram em fornecer as mais importantes casas de moda do mundo, conquistaram uma fatia do mercado do denim premium. Actualmente, os jeans de luxo representam cerca de 1 por cento dos 11 mil milhões de dólares do mercado denim. A Evisu, popular no Japão desde o início dos anos 90, conquistou uma posição líder neste mercado em 1994 quando o empresário britânico Peter Caplowe se converteu ao estilo Evisu e ajudou a elaborar uma agressiva campanha de marketing mundial para os jeans.
Caplowe e o criador de jeans da Evisu, Hidehiko Yamane, formaram uma parceria para implantar a Evisu fora do Japão, vendendo actualmente em 400 das lojas e armazéns top do mundo. Apesar deste crescimento fenomenal a Evisu ainda se mantém fiel às suas raízes artesanais com uma devoção fanática à qualidade e autenticidade. «O denim japonês é hoje em dia muito popular no Japão e no resto do mundo pela sua qualidade, acabamento, design e pormenores», afirma Loic Bizel, da consultora fashioninjapan.com.
Consumidores exigentes
Foram os legendários consumidores exigentes japoneses que tornaram os jeans no valor de 600 dólares uma realidade. Segundo Bizel, «as tendências do denim estão a gora a dirigir-se para o único. Os japoneses estão cheios de uniformidade e marcas de massas e estão muito interessados em procurar e encontrar marcas menos conhecidas, mais genuínas. O factor mais importante hoje em dia no denim é o acabamento. Podem ser bordados, ter o efeito usado, qualquer coisa que os torne uma peça única e de arte. Este sentimento espalhou-se pelo mundo».
Hidehiko Yamane fundou a Evisu em 1991, em Osaka, quando deixou o seu emprego de alfaiate para perseguir o seu sonho de reproduzir jeans vintage com todo o pormenor. A sua desilusão com as versões modernas produzidas em massa conduziram-no ao seu negócio de importação de vestuário vintage e à reunião de todos os elementos necessários para reproduzir jeans vintage. Para este objectivo teve de recolher as peças de maquinaria, a qual não era produzida há mais de 40 anos, necessárias para fazer jeans vintage autênticos.
Os jeans Evisu, tais como os dos outros produtores top japoneses, são feitos a partir de denim vintage em teares de lançadeira e não em modernos teares de projéctil. Os teares de lançadeira já não eram produzidos há mais de 40 anos uma vez que apenas conseguem produzir vestuário com cerca de 76,20 centímetros de largura, enquanto os teares de projéctil podem produzir tecido com 152,40 centímetros de largura ou mesmo mais, com custos mais reduzidos.
Todos os teares que fazem denim Evisu são praticamente antiguidades e uma vez que o tecido produzido nestes teares é muito estreito a Evisu utiliza aproximadamente 2,74 metros de material em cada par de jeans.
Sistema de tingimento antiquado
A Evisu também utiliza um sistema antiquado no processo de tingimento. Todo o denim é tingido com índigo tingido por máquinas de tinginmento vintage que alimentam uma corda de fio de algodão através de cubas de corante índigo e depois retiram e recolocam o índigo para permitir que este oxide antes de a corda passar à próxima cuba.
O denim da Evisu tem o mínimo de 16 banhos e alguns modelos 30, sendo esta a razão do azul muito escuro que muitos dos fãs de jeans adoram. «Nós reproduzimos as técnicas originais de produção em cada fase. Isto significa usar um grande número de máquinas especiais de coser que já não são produzidas há muitos anos. Por exemplo, podemos alinhavar a costura para fazer os alinhavos grossos visíveis em torna da costura quando se vira a bainha dos jeans para cima. Isto só é possível com uma máquina especial, que mais uma vez, não é produzida há mais de 40 anos», explica um porta-voz da Evisu.
«Muitos dos nossos modelos têm também o nosso logótipo pintado à mão. Como consequência de todos estes procedimentos e ainda outros detalhes relativos às matérias-primas os nossos jeans são mais dispendiosos de produzir do que os produzidos pelo processo normal. Para quem aprecia este nível de produção artesanal, pensamos que os jeans Evisu velem cada cêntimo», afirma ele.
Clientes famosos
Celebridades como David Beckham e Noel Gallagher e outros como eles parecem concordar. Inevitavelmente a sua popularidade junto de estrelas levou a um aumento da procura.
A tendência também não passou despercebida ao New York Times, em Abril, que explorou a crescente popularidade dos jeans absurdamente caros com o título Quem paga 600 dólares por uns jeans?. Michelle Leder escreveu na revista da Microsoft, Slate, «o mercado do denim premium de 110 dólares está repleto de sinais de excesso».
Tal como as modas crescem e desaparecem, pode ler-se no artigo de Leder, o mesmo acontecerá com o mercado do denim de luxo, desgastado pela sua própria insustentabilidade, um caso clássico da economia de bolha. O Japão já passou por uma fase destas nos anos 80, data em que todo o tipo de artigos anteriormente do dia-a-dia começou a atrair preços impensáveis, quando passaram a deter uma marca exclusiva. O rebentar da bolha fez com que todos os mercados de luxo do Japão passassem uma fase menos favorável. A Evisu vai ter de aguardar para confirmar se Leder e outros velhos do restelo têm razão.










