Denim e música: dois conceitos inseparáveis em 2006

A música é o motor para o segmento de street e jeanswear deste ano. O ano de 2005 caracterizou-se por uma competitividade muito feroz e por um abrandamento do consumo também muito acentuado. Entre os vencedores deste ano pode encontrar-se as grandes estruturas verticais como a H&M e Zara e nomes como Esprit eMexx. Novos conceitos como o do fornecedor vertical de vestuário israelita Joung Fashion e o grupo dinamarquês Bestseller com lojas próprias “namoram” os clientes jovens. O dinheiro deixou de ser problema, uma vez que os adultos disponibilizam quantias maiores aos seus filhos que por sua vez são em menor número. Contudo, esse dinheiro é empregue nos pequenos aparelhos electrónicos, como Mp3 e i-Pods, que seduzem este grupo etário, e em grandes cadeias têxteis e não em pequenas lojas que vendem jeans de marca a título individual. A “mortalidade” das lojas multimarcas independentes continua a aumentar.«Em 2005, muitos comerciantes tiveram de desistir. Temos de pensar em novos conceitos de distribuição», afirma Michael Strehler, responsável pela Levi’s. A Mustang tem uma aposta forte neste modelo como comprovam as suas 57 lojas franchisadas a nível internacional. «É no retalho próprio que conseguimos mais vendas. As lojas próprias são o nosso motor», afirma Thorsten Grönlund, gestor de produto da QS, na S. Oliver. A Esprit vai abrir em Março a sua loja 500 em regime de franchising. No entanto, no negócio das multimarcas, a “luta” entre fornecedores e restantes parceiros de comércio agrava-se. A concentração em cidades grandes e grandes casas como a P&C, entre outras, aumenta de dia para dia. O volume de negócios de muitos dos que vendem jeans tem origem, em cerca de 50 por cento, nas grandes casas. «Anteriormente vender numa casa como a P&C não era muito bem aceite, já que se esse fosse o caso as lojas mais pequenas recusavam-se a trabalhar com a marca. Actualmente este quadro é inverso. Passou a ser um modelo», afirma Uwe Boser da Pepe Jeans. As cidades pequenas ou de média dimensão constituem frequentemente um problema no mapa de distribuição. «A concorrência entre marcas é cada vez maior, porque existem menos pontos de venda. A Hugo Boss alcança 50 por cento do seu volume de negócios nas 70 metrópoles mundiais o que só por si mostra este desenvolvimento», afirma Jörg Korfhage, responsável da Sixty na Alemanha. Não é só por esta razão que as grandes casas têm mais sucesso. Elas também têm maior poder de investir e de trabalhar de forma mais profissional. Concentração de marcas A palavra-chave para o sucesso parece ser lojas que se concentram num determinado número de marcas, cinco ou seis, reservando 10 por cento do orçamento para colecções extravagantes e “reciclagem” da oferta. Boris Weitzer, responsável pelas lojas Insider anteriormente falidas, é um exemplo desta estratégia. «Eu concentro-me em poucas marcas. Cerca de 80 por cento do meu volume de negócios é conseguido com estas marcas». O mercado tem de seguir e oferecer as tendências, vender “estilos de vida” e concentrar-se nas marcas e não nos preços. Estes pressupostos funcionam no que diz respeito aos jeans. 2005 foi um ano de jeans, mesmo que nem todos tenham lucrado com este facto e mesmo que na realidade não tenham grande representação no volume de negócios total. O denim foi um bom tema de moda extremamente bem rentabilizado por marcas como Replay, Diesel e G-Star. No ano de 2004 o denim alcançou um volume de negócios de cerca de 2,3 mil milhões de euros. No ano de 2005, de acordo com a Gfk, o mercado de jeans masculinos sofreu uma queda de 4 por cento e o relativo às mulheres cresceu 6 por cento. Apesar de o preço médio ter descido, praticaram-se no mercado preços nunca até então vistos ultrapassando os 200 euros. As perspectivas para o tecido azul este ano ainda não estão muito bem definidas. O factor inovação poderá não ser suficiente para manter a euforia azul. Os produtores de jeans parecem não estar muito preocupados e não receiam um abrandamento do consumo deste artigo, muito pelo contrário, estão confiantes que os comerciantes de vestuário de senhora vão acolher novamente o tecido que tanto agrada aos jovens. No entanto, os jeans só por si não completam o mercado de moda para jovens. É por esta razão que marcas como a Diesel e Miss Sixty alargaram as suas competências de moda e mostram as suas colecções na semana de moda de Nova Iorque. Têm de pensar em roupa que se adeqúe à exposição nas lojas não esquecendo a forte concorrência que sofrem por parte de estruturas verticais as quais apresentam cada vez mais peças fashion a preços apetecíveis. Para fazer face a esta concorrência é preciso recorrer a prazos de entrega variados e a um planeamento correcto de encomendas. A Pepe Jeans, por exemplo, oferece duas colecções por época para acompanhar as tendências. As duas colecções principais são repartidas por três entregas, possibilitando assim a presença de artigos novos na loja dez vezes por ano. Mais flexibilidade Grande parte dos comerciantes gostaria de mais flexibilidade por parte das marcas. Gostariam que fossem capazes de responder mais prontamente aos “apelos” efémeros que surgem. Marcas com uma duração breve são cruciais para o comércio. A TW- Test Club prevê uma subida de 2 por cento para o mercado de jeans e streetwear até ao final do ano depois de uma descida de 4 por cento registada em 2004. Não existem razões para um pessimismo ou optimismo exacerbados. Em 2006 as grandes esperanças residem no preto. O novo look inspirado no rock, em que reinam os tons escuros, tem grandes hipóteses de “aprisionar” os jovens. Não é ditado pela indústria da moda, mas sim pelos palcos de Londres e Estocolmo. A música pode levar o mercado da moda jovem para grandes digressões em 2006.