Degori diversifica produtos e mercados

A empresa familiar, que começou há mais de três décadas com a produção de proteções de colchão, tem vindo a apostar em artigos para a cama e a procurar novos países para exportar.

Mara Mateus e Júlio Mateus

Fundada em 1992, a Degori nasceu de uma iniciativa conjunta entre o fundador e a sua esposa. «Eu trabalhava na parte administrativa e a minha esposa na área têxtil. Decidimos juntar as nossas competências e criar a empresa», explica Júlio Mateus, que é também sócio-gerente, ao Portugal Têxtil.

Desde o início, a Degori focou-se na produção de proteções de colchões, um segmento com elevada procura. Nos últimos três a quatro anos, contudo, a empresa expandiu a sua oferta para incluir roupa de cama, em malha e tecido, altura em que decidiu igualmente avançar para a participação em feiras internacionais, nomeadamente a Heimtextil, na Alemanha, e, no ano passado, a Market Week, nos EUA. «Tem corrido bem», sublinha o sócio-gerente. Além destas, a empresa está igualmente presente na Guimarães Home Fashion Week. «Estamos com três feiras por ano e, para já, é suficiente», acredita.

Atualmente, a Degori emprega diretamente 20 pessoas, embora o número total de trabalhadores, incluindo subcontratados, seja significativamente maior. «Optamos por subcontratar para evitar custos fixos elevados», justifica. A empresa desenvolve os produtos, importa as matérias-primas, como algodão, e faz a transformação em Portugal. «Temos tecelagens que trabalham para nós em exclusividade, temos tinturarias e confeções externas e nós fazemos o corte, a embalagem e a exportação», indica Júlio Mateus. «Dá-nos uma margem maior para controlarmos a qualidade», sublinha.

Para diversificar a sua oferta, a empresa tem vindo a crescer, inclusivamente ao nível das instalações, que ocupam agora uma área de cerca de 6.000 metros quadrados. «Há cerca de oito anos, com o crescimento da empresa, sentimos necessidade de passar para um armazém maior, com outras condições e estrutura», explica Mara Mateus, comercial e segunda geração da família na empresa.

Com uma quota de exportação a rondar os 90%, a Europa, com destaque para França e Alemanha, é o principal mercado da Degori, que tem sentido igualmente um interesse crescente no mercado americano. «Queremos muito começar a trabalhar o mercado americano – é também nesse sentido que estamos a participar em feiras internacionais», explica Mara Mateus. O retorno da presença nestes certames profissionais, assume, «é cada vez menor», até porque «há muita concorrência e nem sempre é fácil converter o cliente», mas «conseguimos bons contactos e estamos cá para depois os trabalhar e fazer crescer a empresa», acrescenta.

Os últimos anos têm sido desafiantes, com flutuações nos preços das matérias-primas e mudanças nos comportamentos de compras dos clientes, que estão a fazer menos stocks, a afetarem os resultados da Degori. «Os últimos dois anos têm sido mais difíceis, mas estamos a adaptar-nos», revela. Depois de no ano passado ter sentido uma queda ligeira e atingido um volume de negócios de 4,2 milhões de euros, para este ano, «que está muito parecido com o ano passado», as expectativas são de crescimento, mas moderado. «A nossa expectativa era voltar aos 5 milhões de euros, mas não é realista dada a conjuntura atual. Vamos ver como as coisas vão correr no resto do ano», conclui Mara Mateus.