Défice da balança comercial aumenta

Segundo a análise dos dados preliminares disponíveis no INE, o défice da balança comercial de Portugal ficou cifrado em 12,18 mil milhões de euros nos nove primeiros meses do ano, representando um aumento de 10,8% face ao valor registado em igual período de 2020.

A evolução reflete uma subida de 20,1% nas exportações portuguesas de bens, enquanto as importações cresceram 18,1% de janeiro a setembro de 2021.

Excluindo os “combustíveis e lubrificantes”, o défice da balança comercial de Portugal situou-se em 8,53 mil milhões de euros, evidenciando um agravamento de 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este resultado surge na sequência de uma subida de 18,5% nas exportações e de 15,9% nas importações. Excluindo os produtos energéticos e com base na perspetiva dos desempenhos por região, verificou-se uma subida homóloga de 18,5% nas exportações intracomunitárias, enquanto as extracomunitárias cresceram 18,4%. Do lado das importações de Portugal, as intracomunitárias aumentaram 16,6% e as extracomunitárias aumentaram 13,1%.

Vestuário em crescimento

Em termos específicos para a indústria têxtil e vestuário, analisando a evolução em período homólogo do índice de volume de negócios na indústria (INE) para setembro, a análise do CENIT evidencia uma subida de 5,9% no sector de vestuário. Ao nível das indústrias transformadoras foi registada uma subida de 8,9% em relação a setembro de 2020. De salientar que, relativamente ao período homólogo de 2019, o índice posicionou-se 10,6% abaixo no sector de vestuário. Em termos da evolução em cadeia, foi evidenciada uma subida de 11,4% no sector de vestuário, sendo registada uma subida de 24,4% nas indústrias transformadoras.

Análise do CENIT com base nos dados do INE

Relativamente à evolução em período homólogo do índice de produção industrial (INE), evidencia-se uma descida de 0,9% no sector têxtil. Ao nível das indústrias transformadoras foi registada uma descida de 3,0% em relação a setembro de 2020.

Análise do CENIT com base nos dados do INE
Análise do CENIT com base nos dados do INE

De salientar que, relativamente ao período homólogo de 2019, o índice posicionou-se 0,8% abaixo no caso do sector têxtil. Em termos da evolução em cadeia, foi evidenciada uma subida de 70,6% no sector têxtil e de 23,5% nas indústrias transformadoras.

Os dados para a variação homóloga do índice de emprego na indústria (INE) evidenciaram, em setembro, uma subida de 0,4% no sector têxtil e de 1,1% no sector de vestuário. Nas indústrias transformadoras foi registada uma subida de 1,2%. Relativamente ao período homólogo de 2019, o índice posicionou-se 3,2% abaixo no caso do sector têxtil e 3,3% abaixo no caso do sector de vestuário. Relativamente à variação em cadeia, entre agosto e setembro, o índice de emprego na indústria aumentou 0,2% no sector têxtil e diminuiu 0,3% no sector de vestuário, tendo registado um crescimento de 0,5% nas indústrias transformadoras.

Emprego a duas velocidades

De acordo com os dados do INE para a variação homóloga do índice de horas trabalhadas na indústria, foi registada, em setembro, uma descida de 0,3% no sector têxtil e uma subida de 1,1% no sector de vestuário, enquanto nas indústrias transformadoras verificou-se uma descida de 0,3% em relação a igual período de 2020. Ao nível da variação em cadeia, observou-se uma subida de 60,7% no sector têxtil e de 65,4% no sector de vestuário, entre agosto e setembro de 2021, enquanto nas indústrias transformadoras verificou-se uma subida de 36,7%.

O índice de preços na produção industrial (INE) conheceu em termos homólogos em setembro uma subida de 1,0% no sector de vestuário, em relação a igual período de 2020. Este indicador evidenciou uma subida homóloga de 10,1% ao nível das indústrias transformadoras, uma tendência que os dados preliminares do INE indicam ter-se-á mantido em outubro. Na variação em cadeia, entre agosto e setembro, verificou-se uma evolução praticamente nula no sector de vestuário, enquanto nas indústrias transformadoras o índice registou uma subida de 0,6%.

Análise do CENIT com base nos dados do INE

Relativamente à variação homóloga do índice de preços no consumidor (INE), foi observado em outubro uma descida de 1,7% ao nível dos têxteis de uso doméstico e uma descida de 1,0% nos artigos de vestuário. Analisando a evolução em cadeia, na comparação com setembro, foi registada em outubro uma subida de 0,7% nos têxteis de uso doméstico e de 1,8% nos artigos de vestuário.

O indicador de clima económico do INE conheceu em novembro (+1,9%) a manutenção da perceção positiva do clima económico por parte das empresas, evidenciando uma ligeira descida em relação ao mês anterior. Por seu lado, o indicador de confiança da indústria transformadora do INE apresentou em novembro (-4,0%) a manutenção da perceção negativa, mas aliviou ligeiramente a tendência registada no mês anterior (-4,2%).