Croissants com têxteis

A terceira sessão das "Conversas ao Pequeno-Almoço" realizadas pelo IPAM (Instituto Português de Administração de Marketing) de Matosinhos foi dedicada à Indústria Têxtil e de Vestuário (ITV). Embora principiantes, estas amenas cavaqueiras, intercaladas com meias de leite e croissants, seduziram já uma exclusiva plateia de quadros de topo de variados sectores pela actualidade dos temas abordados e pela qualidade dos dinamizadores dos mesmos. Desta feita, coube a Paulo Nunes de Almeida, presidente da ATP, e Carlos Trocado Ferreira, CEO da Gierlings Velpor, comentar os "Novos Desafios para o Sector Têxtil", numa conversa conduzida por Carlos Abrunhosa de Brito, administrador do grupo Ensigest. O presidente da ATP focou os pontos que considera mais importantes para melhorar a competitividade das empresas do sector, externos e internos ao mesmo, aos quais não deixou de atribuiu notas, mais positivas do que negativas. Em particular, para os aspectos internos do sector, Paulo Nunes de Almeida aprovou seis – concentração associativa, reposicionamento na cadeia de valor, inovação e desenvolvimento, formação profissional, manutenção de uma fileira têxtil integrada e acção nos mercados externos – e reprovou quatro – concentração empresarial, a atractividade do sector para os jovens, ligação empresa-universidade e acção no mercado interno. O presidente da ATP terminou a sua intervenção com uma tónica optimista: «Este sector vai continuar a ter o peso que tem direito na economia nacional». Carlos Trocado Ferreira apresentou o case study que constitui a empresa que dirige. Na véspera de festejar duzentos anos de actividade, a Gierlings Velpor, desfruta de grande notoriedade no mercado e de uma boa saúde financeira, provando assim a eficácia das mudanças empreendidas no final dos anos 90, quando a empresa especialista em veludo equacionou o seu encerramento ou a sua expansão. «A "mudança" foi a palavra-chave neste processo», afirmou o CEO da Gierlings Velpor. Uma logística ligada às vendas, focalização nos utilizadores finais, inovações apresentadas pelo departamento comercial e de marketing e não pelo de produção, a constituição de uma Academia do Veludo ou ainda a busca de novas aplicações para o veludo, para além da moda e da decoração, foram algumas das importantes mudanças empreendidas. Hoje, a empresa tem novos desafios pela frente.