Crocodilo em forma aos 75

Foi em Bryant Park, no centro de Manhattan, que a Lacoste desfilou recentemente no âmbito da Semana de Moda de Nova Iorque. Debaixo de uma queda de neve artificial e sobre uma passerelle coberta de centenas de peles de carneiro brancas, os manequins exibiram a primeira parte da colecção intitulada "Megève, 1930”. A segunda parte do desfile tinha como cenÁrio as montanhas jamaicanas e evocava os grupos musicais dos anos 70, uma época onde a Lacoste vendia nos Estados Unidos quase 30 milhões de peças por ano», tal como revela Philippe Lacoste, director das relações externas. Este modo, calorosamente vestidos com combinações de calças cinzentas em flanela com pullôveres de tranças feitos em caxemira branca, os esquiadores desciam as “encostas” com os seus companheiros que arvoravam as mesmas cores e que se protegiam do sol com os óculos de aviador. Os collants grossos agasalhavam as pernas das temperaturas abaixo de zero e o capuz branco protegia do vento, ao mesmo tempo que o ambiente era aquecido pelos aplausos de uma sala cheia que assistia ao desfile. Christophe Lemaire, director artístico da marca desde 2000, que pertence 65% à família Lacoste e 35% ao seu parceiro industrial Devanlay, afirmou ter-se inspirado no espírito "tradicional" e na história da marca famosa pelo pequeno crocodilo verde. Os Estados Unidos são o primeiro mercado mundial para Lacoste, representando entre 16 e 17% do volume de negócios, contra 13% na França», afirma Philippe Lacoste. A marca corresponde bem a um estilo de vida muito americano, o "sportswear elegante", encarnado também por outros estilistas como Ralph Lauren, mas com um toque de elegância francesa. A marca é francesa, mas as suas raízes são americanas, a ideia do crocodilo nasceu após um jogo de competição na Taça Davis, onde René Lacoste foi cognominado o “jacaré” pela imprensa americana porque não largava a sua presa», conta Philippe Lacoste. Presente nos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a Lacoste separou-se do seu parceiro americano com quem teve alguns dissabores no final dos anos 80. As primeiras lojas apareceram na Flórida em 1995, e a primeira loja de Nova Iorque abriu as suas portas em 1996 em Madison Avenue. As fÁbricas dos Estados Unidos foram transferidas para o Peru, país tradicionalmente produtor de algodão e de lã de qualidade. Implantamos sempre as nossas fÁbricas na zona onde vendemos, mas produzir nos Estados Unidos tornou-se demasiado dispendioso», conclui Philippe Lacoste.