Criança portuguesa a crescer

De 13 a 15 de Janeiro mais de 12 mil profissionais passaram na feira internacional de Puericultura e Moda Infantil de Valencia – FIMI –, o que supõe um aumento de 10 por cento em relação ao ano anterior, referem fontes da feira. A projecção internacional da feira tem crescido de edição para edição, como demonstra o aumento de compradores estrangeiros, ou seja, 16 por cento mais do que a edição anterior. Por ordem de afluência Portugal, Itália e França continuam a ser os principais países de procedência, apesar de se ter notado um significativo aumento de compradores do Reino Unido e Grécia. Mais uma vez, e no âmbito do programa de apoio à internacionalização das empresas portuguesas, a ANIVEC/APIV – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção em parceria com o Icep e com o apoio do Prime, continua a apostar na moda infantil nacional promovendo a participação de 20 empresas portuguesas nesta edição da FIMI. Assim, a Wedoble (A. Ferreira & Filhos, Lda.), a Casa do Bebé (A Casa do Bebé – Têxteis Lar Infantil, Lda.), a Abobrinha (Babex – Alfredo José Ribeiro Fernandes & Filhos, Lda.), a Belmiro (Belmiro Martins & Ca. Lda.), a Alfazema (Confecções Alfazema), a Makao (Creative Sign, Lda.), a Fató (Confecções José Rodrigues, Lda.), a Cenoura (Crispim Abreu), a F. S. Confecções, Lda., a Guilanda (Grupo Guitex), a Laranjinha (Empresas Industrial Têxtil Hall & Ca. Lda.), a Pim Pam Pum (Homogenic Design), a Dr. Kid (Inarbel), a Ana Cláudia by Maria Alegria, Lda., a NaturaPura (NaturaPura Ibérica), a Atlanta Mocassin (Portocouro), a Ponto por Ponto, a Valentina (Valentina Silva, Unip Lda.), a Valti (Valti Confecções) e a Girandola (Disvaltex – Comércio e Representações, Lda.) marcaram a sua forte presença num mercado onde a dificuldade de afirmação e reconhecimento é acentuada. Mas, Portugal tem ganho o seu espaço e nesta edição prova-se uma vez mais que as empresas nacionais estão a «crescer, mostrando uma grande evolução quer na imagem, tecnologia quer na apresentação de novos produtos. Cada vez mais Portugal faz bem e é reconhecido por isso», afirma ao Portugal Têxtil Orlando Lopes da Cunha, presidente da ANIVEC/APIV. A opinião geral foi positiva e a organização, tal como as empresas, está «muito satisfeita. Portugal fez um esforço muito grande, já que quando viemos a primeira vez, apesar de algumas empresas terem lojas já internacionais, a maioria nem sequer tinhas lojas próprias, mas esforçaram-se e com a nossa ajuda e dos nossos consultores, fizeram um excelente trabalho em todos os aspectos desde ao design à própria criação das colecções, escolha de cores, aos stands etc… e nesta edição a melhoria foi notória com toda as marcas a conseguirem um elevado número de contactos e todas a sair da feira com encomendas, o que é raro, pelo menos no início», acrescenta o presidente da ANIVEC/APIV. Durante os três dias da FIMI, Portugal apresentou três desfiles com as marcas nacionais que Orlando Lopes da Cunha classifica como «enternecedor». Um desfile criativo que mostrava colecções arrojadas, divertidas e muito coloridas que evocavam o ambiente mágico e encantador do bosque outonal. O desfile foi uma amostra do que cada uma das empresas propõe para o próximo Outono/Inverno para crianças dos 0 aos 8 anos de idade, desde os vários produtos de puericultura até ao pronto-a-vestir e cerimónia. Com a sua boa disposição e traquinice próprias, os pequenos manequins deram ainda maior encanto às criações portuguesas, parando por completo o pavilhão onde se encontravam as empresas sob a marca sectorial “Childrens Fashion from Portugal”, cujo site – www.childrensfashionfromportugal.com – foi lançado com o intuito de promover as empresas portuguesas de moda infantil, direccionando os internautas para os sites das marcas portuguesas. A evolução das empresas nacionais começa a ser notória quando se encontram casos como a Makao, Wedoble ou Laranjinha que têm uma nítida preocupação com a imagem, criando espaços criativos e que se diferenciam das outras, promovendo o seu produto mas também um estilo de vida. De referir também que Portugal tem já empresas que evoluem ainda «na utilização de materiais amigos do ambiente e que apresentam progressos nos materiais e técnicas utilizados nos serviços e nas peças», acrescenta Orlando Cunha. Mas nem todos são optimistas e o representante da Ana Cláudia by Maria Alegria teme «que o sector de criança esteja a morrer em Portugal» e para que isso não aconteça é «preciso que as empresas tomem consciência de que é preciso ajuda, não financeira, mas uma ajuda especializada, designers que forneçam ideias para as colecções e que ajudem na criação da imagem da empresa. Portugal não é um coitadinho, nós sabemos fazer», precisamos é de saber também vender e enfrentar os concorrentes. Já para a Cenoura, presente pela primeira vez na FIMI, e na sua primeira apresentação depois da reestruturação, a representante da empresa na FIMI afirmou que «feira correu bem, foram feitos muitos contactos, e o desfile foi um sucesso, tendo a colecção recebido bastantes elogios». Por seu lado, a Casa do Bebé, esteve pela segunda vez na FIMI, e a presença «de clientes antigos e contactos para a angariação de novos confirma o sucesso da marca», confirma ao Portugal Têxtil a porta-voz da empresa. Também pela segunda vez consecutiva na FIMI, esteve a Abobrinha. «Já fizemos esta feira há quatro anos mas não tínhamos agente, agora estamos prontos para consolidar aqui a nossa presença», refere a responsável da empresa na feira. Ainda sem lojas próprias, a Abobrinha pretende abrir lojas dentro de dois anos e encontrar parceiros com outro tipo de produtos «de forma a alargar o mercado internacional», refere. No que diz respeito à participação em conjunto com a ANIVEC/APIV, a Abobrinha acredita que «a imagem das empresas portuguesas está a melhorar e a que a associação está a fazer um bom trabalho no apoio que nos têm dado». Sendo esta primeira presença internacional da marca, Teresa Pereira, directora de marketing da Wedoble, considera que a FIMI «foi a nossa rampa de lançamento para o exterior, até porque a presença originou a inserção espontânea em países que antes não foram contactados». Plenamente satisfeitos com a participação na feira, Teresa Pereira refere que «tínhamos um objectivo primário, o contacto com os agentes/importadores que foi atingido em 80%.Tivemos algumas encomendas – não sendo esse o objectivo de participação – bastante boas, logo na globalidade a feira correu melhor de que a expectativa», acrescenta. No segmento do vestuário de cerimónia esteve também a Valentina, cuja presença na FIMI se realiza já pela quarta vez. Valentina Silva mostrou-se agradada com o decorrer da feira que considera ter corrido «dentro da normalidade, temos tido vários clientes, algumas encomendas e bastantes contactos». A Valentina tem já uma loja própria em Vila Nova de Gaia, apostando mais nas lojas multimarca, cujos clientes estão espalhados por Portugal, Espanha, Grécia, Itália e Suiça. Em relação à «imagem das empresas portuguesas nota-se uma evolução algo acentuada, os empresários preocupam-se mais com essa área denotando um cada vez maior profissionalismo, criatividade e modernidade», acrescenta. Na opinião de Enaltina Martins, da Belmiro Martins e Cia. Lda., «as pessoas começam a perder o medo de investir nas feiras portuguesas», talvez por isso se note também um número crescendo nas participações de ano para ano. Com duas lojas próprias, uma em Lisboa e outra e Vila Nova de Gaia, a NaturaPura está na FIMI pela segunda vez, apresentando-se «satisfeita já que esta correu bem com bastantes contactos e algumas encomendas». A abertura de mais lojas está já nos planos da empresa, que pondera a possibilidade de abrir duas lojas em Espanha, uma em Madrid e outra em Barcelona. Esta presença em conjunto com a ANIVEC/APIV faz com que a «imagem das empresas portuguesas saia fortalecida, devendo ser uma acção para manter e incrementar. É também importante sensibilizar as empresas a trazer para as feiras stands próprios e criativos», acrescenta a representante da empresa. Há já oito anos na FIMI, a Guilanda tem «mais contactos do que vendas, mas é mesmo assim, até porque temos tido muitos clientes novos que são angariados nas feiras», refere Pedro Chaves, administrador da Guilanda. No então, a Guilanda prefere vir com a ANIVEC/APIV já que «é mais vantajoso ao nível da promoção e imagem, apesar de todos tirarmos benefícios. Mas, sem dúvida que para as empresas é muito mais positivo», acrescenta ao Portugal Têxtil. Para o futuro, Pedro Chaves refere que é essencial «reformular a imagem das marcas e investir em publicidade e imagem, de forma a chamarem a atenção sobre si e sobre os seus produtos, distinguindo-se das demais». Uma das empresas que mais sobressaiu nesta edição da FIMI foi a Makao. Criada e gerida por dois designers, a Makao apresentou um stand diferente dos demais, chamando a atenção de todos os que passavam. Apesar de ser comercializada há apenas uma estação, esta marca tem já cinco anos. As lojas próprias não estão ainda nos horizontes da marca preferindo para já consolidar-se no mercado através das lojas multimarca. Na opinião dos responsáveis da empresa «o progresso a nível de imagem é muito pouco, há que chamar a atenção para as nossas marcas e para os nossos produtos, e Portugal peca muito nisso». No que diz respeito ao âmbito geral da feira, e apesar de Portugal ter participado apenas com empresas de têxtil e de vestuário, a FIMI apresenta expositores quer de puericultura quer de vestuário, sendo que ambos os sectores têm mantido um bom ritmo exportador, já que as vendas de produtos de puericultura nos mercados externos aumentaram 10,3 por cento até Setembro de 2005 em relação aos mesmos meses do ano anterior (de acordo com os dados do ICEX) e as de moda infantil cresceram 19,5 por cento em 2005 (segundo valores da ASEPRI – Associação Espanhola de Fabricantes de Produtos para a Infância). O director da Feira Internacional de Puericultura, José Vicente Fernández destacou a satisfação dos expositores para a projecção internacional do certame e do mesmo modo manifestou que o comprador reconheceu a grande qualidade do produto exposto. A Puericultura 2006 estreou este ano a sua passarela de 0 a 4 anos onde desfilaram pela primeira vez as novas colecções de mobiliário infantil, carrinhos e berços de empresas como a Jane, Play, Bebecar, Mi Cuna e ABC Baby. Por seu lado, a Pasarela FIMI onde desfilaram 14 empresas internacionais, entre as quais se encontravam os criadores Adolfo Dominguez, Agatha Ruiz de la Prada, Antonio Miró, Elio Berhanyer e Victorio & Lucchino, foi uma vez mais uma das maiores atracções do certame. Como é já habitual, a FIMI fez as suas distinções entre os expositores, sendo que o prémio da Melhor Colecção foi entregue à empresa Adolfo Dominguez e o prémio de Melhor Stand foi para a Marisol. De acordo com a directora da feira, Pepa Ortiz, a maioria das empresas que estão presentes na feira, realizam durante estes dias, aproximadamente entre 40 a 60 por cento das suas vendas para a temporada.

Esta realidade não se adequará aos expositores portugueses, que afirmam normalmente obter mais contactos do que vendas, mas que os produtos portugueses têm muita qualidade e que os prazos de entrega são rápidos e eficientes, toda a gente concorda, então… o que será que falta às empresas e marcas portuguesas para se afirmarem e ocuparem o lugar que merecem no comércio mundial do têxtil e do vestuário? Talvez a imagem e criatividade e o dinamismo que tanta gente diz faltar ainda no nosso país seja realmente parte da solução… para já resta continuar a lutar.