CPD a ganhar terreno

Düsseldorf, onde decorreu a CPD, feira de moda internacional, de 5 a 7 de Fevereiro, manteve claramente a sua posição como motor decisivo para a indústria da moda, apesar do continuado clima económico difícil dentro do sector do vestuário, com um aumento para 46.000 visitantes profissionais (em Fevereiro de 2005 tinham sido 44.000). Contabilizando também os visitantes dos showrooms integrados na CPD, que permite alargar a visão do mercado através de um único e amplo espectro de colecções nacionais e internacionais, a Igedo, entidade organizadora da feira, contabilizou 60.000. Com o aumento de aproximadamente 5% no número de visitantes, em que mais de um terço veio do estrangeiro, com particular aumento das regiões fora da Europa, a CPD está claramente a enviar sinais positivos. E prova que o rumo traçado no ano transacto foi o correcto. A agora ainda mais consistente segmentação da gama, a par de um alterado layout, o número crescente de stands abertos e as apelativas Áreas de Comunicação criativamente desenhadas, foram avaliadas positivamente. Para muitos compradores, a procura de fornecedores e de inspiração de moda, como por exemplo, a apresentada nos novos segmentos “Styles & Signatures” ou “New Discovery”, bem como na estabelecida “Fashion Gallery”, são factores que pesam muito nas suas razões para frequentar a CPD. Com 1.670 expositores, mais 10% em comparação ao ano transacto, e com 240 empresas estreantes, notou-se que o negócio na feira correu significativamente melhor do que previamente esperado. Os stands apresentavam-se bem frequentados e movimentados e casas cheias nos desfiles de moda. Um dos pontos em destaque nesta edição foi o facto da proporção de compradores de roupa de homem ter crescido novamente. Com um aumento de 56% no espaço de exposição e perfazendo 12% dos expositores, a roupa de homem também atraiu mais retalhistas domésticos e internacionais à CPD. A Igedo, por conseguinte, planeia oferecer este segmento na sua própria plataforma independente em Julho. Os eventos paralelos também contribuem, e muito, para que a CPD continue a abrir o sector da moda. Um dos exemplos foi o desfile de moda “Catwalk with Ball”, que tirou proveito da onda mediática à volta do Mundial de Futebol 2006, organizado em cooperação com a “Nationale DFB Culture Foundation WM 2006“, com a participação de jovens e emergentes designers. Um dos “pontos altos” desta edição da CPD, foi a homenagem prestada à irreverente estilista britânica Vivienne Westwood, com a organização de uma exposição das suas colecções de moda feminina concebidas nos últimos 33 anos, a maior que já foi feita sobre si. Conhecida pela sua criação estética rebelde e marginal, a exposição mostrou desde os primeiros figurinos punk, com corpos envoltos em correntes, até aos conhecidos modelos inspirados no estilo rococó francês. Na conferência inaugural da exposição, muito concorrida, mostrou, através das suas declarações e atitude, que a irreverência continua a ser uma das suas “imagens de marca”. O Portugal Têxtil (PT) falou com a representante da Igedo em Portugal, Silvia Anjos. «Relativamente à feira, mesmo antes de ter lido os comunicados finais, notei que havia mais visitantes. Quando cheguei no Domingo vinda das feiras de Paris, vi que os corredores e stands estavam completamente cheios. Outro ponto positivo foi o novo segmento Style & Signatures. Muito stylish, fresco, jovem, inovador, com agências e novos designers. Foi uma surpresa e recebeu elogios de quase todas as partes». Silvia Anjos também realçou que «um dos grandes trunfos desta edição foi o evento com a Vivienne Westwood. A exposição estava muito bem conseguida, e ela é uma figura absolutamente marcante». Quanto à participação nacional, apesar de tímida, com apenas três expositores, Jotex, Mazur e Novais Sousa, Silvia Anjos está convencida que esta será mais significativa nas próximas edições, não só pelos contactos já efectuados, mas também pelos resultados e dinamismo desta edição. A Mazur é já habitual nas edições de Inverno da CPD e conhecida pelos belos casacos de Inverno da sua colecção. Segundo Francisco Almeida «a feira correu bem, e globalmente, estamos satisfeitos». Já a Jotex foi estreante e os seus responsáveis ficaram impressionados com o movimento da feira. «Foi muito positiva esta nossa aposta na CPD e pretendemos continuar a participar. Aproveitámos para visitar com atenção a feira dedicada à subcontratação, a Global Fashion, para sondar perspectivas de negócio. Aliás, penso que a realização da Global Fashion em simultâneo com a CPD é muito inteligente», afirmouRegina Rodrigues.