Coupang finaliza compra da Farfetch

O grupo sul-coreano anunciou ter concluído a aquisição da Farfetch, um negócio que deverá permitir a continuação da empresa fundada por José Neves, mas que está a ser contestado por um grupo de investidores.

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Num breve comunicado, o Coupang afirma que «ao dar acesso a 500 milhões de dólares em capital, esta aquisição permite que a Farfetch continue a entregar serviços excecionais para as marcas e boutiques parceiras e a mais de quatro milhões de clientes em todo o mundo».

O grupo sul-coreano, que está cotado na Bolsa de Valores de Nova Iorque, sublinha ainda «ao aproveitar a excelência operacional e logística inovadora do Coupang, a Farfetch está agora bem posicionada para perseguir um crescimento constante e ponderado».

Embora a menor escala, o Coupang, que tem operações em mercados como Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, China e Índia, é comparado ao Alibaba na China e, de acordo com fontes da indústria, citadas pelo Sourcing Journal, tem procurado subir de gama para o mercado da moda e bens de luxo.

Como resultado da venda, todos os investidores da Farfetch, incluindo o fundador, CEO e presidente do conselho de administração José Neves, ficaram sem o dinheiro aplicado, com o Coupang a ficar com o controlo total do negócio.

O grupo sul-coreano não especificou se haverá despedimentos, mas fontes próximas dão conta de que a ideia será manter a atual equipa de gestão, incluindo José Neves. Ao Sourcing Journal as fontes acrescentaram que as vendas estiveram fortes na época de Natal e que, para o futuro, o orçamento de marketing irá divergir para «impulsionar transações» em vez de construir a imagem e a marca Farfetch.

Estarão ainda a decorrer negociações para vender os ativos não-essenciais do portefólio da Farfetch, como a Browns e o New Guards Group. «Por agora, mantém-se tudo igual», refere uma fonte citada pelo Sourcing Journal.

Investidores avançam para a justiça

A aquisição da Farfetch pelo Coupang está, contudo, a ser contestada por um grupo de investidores que detêm mais de metade dos 3,75% de notas seniores convertíveis. Este grupo, denominado 2027 Ad Hoc Group, alega que «a venda ao Coupang está a transformar em zero milhões de dólares de dívida e também prejudica os trabalhadores e outros investidores», afirmou, à Forbes, Fiona Huntriss, sócia da Pallas Partners, o gabinete de advocacia que está a fazer o aconselhamento legal ao grupo.

O anúncio da venda retirou de cima da mesa a possibilidade de encontrar outro comprador até 30 de abril, como foi inicialmente indicado no acordo feito a 18 de dezembro, uma situação que a Farfetch declara, num documento para a entidade reguladora da Bolsa de Valores dos EUA, ter acontecido por falta de interessados, apesar de «um processo robusto levado a cabo pela JP Morgan em nome da FF PLC».

No entanto, um porta-voz do 2027 Ad Hoc Group afirma, em comunicado, que «a Farfetch retirou um resultado consensual que teria sido do interesse dos seus investidores, acionistas e funcionários. Este é mais um exemplo dos motivos pelos quais estamos tão preocupados com as ações da Farfetch. Mantemos a nossa posição e vamos avaliar todos os passos possíveis de litigação».