Cortefiel fecha Milano

A Cortefiel, grupo de moda espanhol detido pela empresa de capital de risco Permira (principal accionista do grupo Valentino) e pela também capital de risco do BNP Paribas, a PAI Partners, irá encerrar a sua insígnia Milano depois do Verão. O objectivo deste encerramento é canalizar os esforços do grupo para as suas marcas mais lucrativas. Os artigos do segmento tailoring sofreram uma acentuada queda na procura quando comparados com novos conceitos de moda masculina, como é o caso do smartcasual, no qual a nossa cadeia Cortefiel está a apostar fortemente», refere a empresa em comunicado. As 11 lojas Milano existentes actualmente em Espanha, das 17 que existiam no final de Fevereiro, contribuem apenas em cerca de 2% para o volume de facturação global. Por isso, a Cortefiel grupo planeia reconverter estas lojas em pontos de venda de outras marcas do grupo. A Cortefiel possui mais de 1.500 lojas em todo o mundo e tem as suas marcas franchisadas em 56 países, fazendo com que seja a terceira empresa mais internacionalizada da moda espanhola, a seguir à Inditex e à Mango. Apesar desta presença global, o mercado espanhol continua a representar cerca de 3 quartos da facturação do grupo. O volume de negócios total fixou-se nos 1.070 milhões de euros no último exercício fiscal. O grupo espanhol opera as cadeias de homem, mulher e criança Cortefiel, Pedro del Hierro, situada num segmento superior do mercado, a marca de roupa casual Springfield e a Women’s Secret, esta última dedicada às consumidoras femininas através da oferta de linhas de Nightwear e Undewear. Como todos os seus concorrentes espanhóis, a Cortefiel está no seu mercado doméstico perante uma situação de forte abrandamento económico e com uma taxa de desemprego de 18%, o que tem afectado negativamente as suas operações. As vendas no retalho espanhol decresceram 7,5% no passado mês de Abril face a igual período de 2008, a 17ª queda mensal consecutiva. Esta situação parece estar para durar na medida em que diversos estudos apontam para a continuação da quebra dos gastos dos consumidores. Segundo um inquérito recentemente divulgado, os espanhóis esperam gastar, este Verão, menos 6% do que o ano passado em artigos de vestuário.