Correio da Manhã alerta para o desemprego na têxtil

A imprensa nacional continua a aproveitar esta época menos pródiga em notícias para fazer uma resenha dos mais recentes e importantes processos de falência que decorrem no tecido industrial têxtil do país, agravada pelo facto de, na iminência de um encerramento de alguma empresa em dificuldades antes do período de ferias de Verão, esta semana ser o período para se fazer ponto de situação. Segundo o Correio da Manhã, na opinião dos sindicatos a crise na área têxtil que já se arrasta há cerca de uma década tende a agravar-se, apesar do esforço e tentativa do Governo em revitalizar a nossa economia. Esta situação é a principal responsável pelo aumento do desemprego na região da Beira Interior. A empresa Eres no concelho do Fundão, foi o caso mais dramático, já que com o seu encerramento deixou cerca de 500 trabalhadores no desemprego. Até agora foram cerca de 25 as empresas que faliram num período de 10 anos, segundo informações do Sindicato Têxtil da Beira Baixa (STBB), sendo que no total empregavam à volta de 1000 funcionários, exceptuando a Eres. Entre as empresas que apresentaram falência podem nomear-se a Ernesto Cruz que empregava 137 funcionários, a Lanofabril com 145 e a Gitêxtil com 57 trabalhadores. José Fernandes do STBB, adiantou ao jornal Correio da Manhã, que acredita que a crise persista até ao final do ano, “depois deverá estagnar. É claro que as nossas perspectivas não são boas, até pelos indicadores que o Governo deu para os trabalhadores da Função Pública. Os privados aproveitam-se da ”deixa” e tentam despedir as pessoas sem quererem pagar qualquer indemnização”, adianta o sindicalista. Na região mais a norte, na Beira Alta na última década encerraram 50 empresas, 20 das quais no distrito da Guarda e 30 no de Viseu. Consequentemente cerca de cinco mil pessoas ficaram no desemprego, segundo números adiantados pelo presidente do Sindicato Têxtil da Beira Alta, Carlos João. Das empresas que encerraram no distrito da Guarda destacam-se a Vodratex que empregava 800 pessoas, a Fisel com 700 empregados e a Têxtil Lopes da Costa que empregava 400 pessoas. Ainda no distrito da Guarda não podemos deixar de mencionar a Gartêxtil que ainda está sob a ameaça de falência. Também a Filor e a Vougatêxtil recentemente deixaram no desemprego 150 e 300 funcionários respectivamente. Na opinião de Carlos João, é necessário que “os empresários apostem nas novas tecnologias e na qualificação de recursos humanos. São dois pontos essenciais que eles não podem descurar se quiserem ultrapassar este período negro da economia” de forma a inverter a crise. O que também causou espanto foi o facto de muitas empresas pura e simplesmente terem encaminhado os seus funcionários de férias em Agosto com o aviso para não regressarem ao trabalho já que a empresa tinha sido vendida ou simplesmente falido. Mas infelizmente esta situação começa a deixar de ser novidade. Neste momento apenas são conhecidass publicamente três confecções que fecharam definitivamente as portas no dia em que os funcionários foram de férias, uma delas em Ponte de Lima, uma outra em Santo Tirso e por último uma em Vila nova de Famalicão. Em Ponte de Lima, além da Rioli-Têxteis, haverá ainda os casos das confecções Olimpus e Abreus.