Cork-a-Tex em novos mercados

Os fios com cortiça produzidos pela Sedacor e a Têxteis Penedo estão a avançar em segmentos inéditos, graças à capacidade de personalização dos artigos à sua utilização final.

Sandra Ventura [©CITEVE]

Tendo começado como uma ideia em 2011 e um projeto de investigação em 2014, o Cork-a-Tex é agora representado por uma empresa com capacidade produtiva à escala industrial capaz de servir diferentes sectores.

«Com tanta procura e de tantas áreas diferentes, neste momento temos fios personalizáveis para cada tipo de utilização», explicou Sandra Ventura, diretora de inovação da Têxteis Penedo, que partilha o Cork-a-Tex com a Sedacor. «Para cada uma das áreas – malhas, tapetes, calçado – tivemos de desenvolver um fio diferente, as especificações são diferentes», acrescentou, durante a sua intervenção no seminário temático novos materiais reciclados, funcionais e inteligentes da Sociedade Portuguesa de Materiais, que teve lugar no passado dia 5 de dezembro no CITEVE. «Tem de se ir indo fazer alterações de forma a que o fio seja personalizável e adaptável na perfeição a cada uma destas indústrias», sublinhou.

A Têxteis Penedo detém a exclusividade para a área dos têxteis-lar – estreou a primeira coleção com este fio no ano passado, na Heimtextil –, mas o objetivo é continuar a levar o Cork-a-Tex a outras tipologias de produto, até porque a procura tem sido considerável sobretudo após o fio ter sido distinguido com um prémio de inovação na Techtextil 2019, «que nos deu alento e a visibilidade para continuarmos», assumiu a diretora de inovação da Têxteis Penedo. «Tivemos quase 400 contactos na Techtextil de várias empresas, desde produtos de luxo a desporto e cordoaria», referiu.

Os próximos passos passam por introduzir novas mais-valias. «Os desafios continuam», realçou Sandra Ventura, dando conta dos esforços para tornar o fio mais sustentável, apesar da cortiça ser renovável, biodegradável e ajudar na captação de dióxido de carbono. «Continuamos a explorar novos materiais para introduzirmos no fio, continuamos a diferenciar os fios com a utilização de fibras recicladas e recicláveis. E continuamos a tentar baixar a pegada de carbono, apesar da cortiça já ter boas características a esse nível», enumerou.

Atualmente o Cork-a-Tex é composto por cerca de 20% de cortiça, o que lhe confere parcialmente as propriedades associadas a este material. «O fio tem várias vantagens, como resistência à abrasão, estabilidade dimensional, características antibacterianas, resistência ao fogo», enumerou Sandra Ventura, ressalvando, contudo, que as mais-valias são proporcionais à percentagem de cortiça usada. «Estes 20% vão conferir estas capacidades, mas não como se aconteceria se tivéssemos usado só cortiça».

A parceria com a Sedacor, para além do apoio no desenvolvimento e de facilitar o acesso aos resíduos da produção de rolhas, resultou também numa joint-venture 50%/50% – a Cork-a-Tex – New Generation Yarns –, que permitiu escalar a produção. «Demorou oito anos a conseguir a industrialização deste novo material», confessou Sandra Ventura. «Agora temos uma produção completamente diferente da pré-industrial que existia no CITEVE [na fase de desenvolvimento] e temos um fio que realmente vale a pena», conclui a diretora de inovação da Têxteis Penedo.