COP28 começa hoje com decisões importantes em cima da mesa

Como cumprir o Acordo de Paris para limitar o aquecimento global e acertar o funcionamento do fundo prometido na COP27 para compensar os países em desenvolvimento são alguns dos temas que devem marcar esta Conferência do Clima.

[©COP28 UAE]

A conferência organizada pelas Nações Unidas deverá contar com cerca de 75 mil delegados, entre políticos, ministros, representantes da sociedade civil, representantes de empresas, organizações internacionais e meios de comunicação social, que estarão na Expo City no Dubai entre hoje e 12 de dezembro.

Segundo o Energy Monitor, que cita vários especialistas, esta pode ser a Conferência do Clima mais importante desde Paris em 2015. Apesar de, em muitos aspetos, dever ser semelhante a muitas outras – sem grandes resoluções concretas – espera-se que haja mais definição relativamente a como será possível cumprir o Acordo de Paris, assinado por 195 países, pensado para limitar o aquecimento global a menos de 2 ºC, idealmente a 1,5 ºC dos níveis pré-industriais.

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, afirmou hoje, 30 de novembro, numa entrevista à France Press, que o mundo tem potencial, tecnologias, capacidade e dinheiro para fazer o que é necessário, pelo que «a única coisa que continua a faltar é vontade política. É por isso que a COP é importante, para que as pessoas compreendam que continuamos a avançar numa direção muito errada. Se nada acontecer, estamos a caminhar para os 3 ºC e isso será um desastre total».

Alex Scott, do think tank E3G, afirma, citado pela Energy Monitor, que é esperado que os anfitriões – os Emirados Árabes Unidos, um dos principais produtores de petróleo – imponham «algo da sua própria agenda», incluindo iniciativas para enfrentar os impactos das alterações climáticas na saúde, melhorar o acesso ao financiamento para estados frágeis e afetados por conflitos, bem como um grande impulso para as transformações do sistema alimentar.

A segunda semana do evento trará para primeiro plano as negociações para um acordo que atualize as ambições e políticas climáticas para o próximo ano, assim como a apresentação do primeiro Balanço Global – um mecanismo através do qual é avaliado o progresso na ação climática. O relatório de síntese detalha como o mundo continua longe de cumprir as ambições do Acordo de Paris, apelando à «transformação do sistema» em «todas as frentes». No entanto, ainda há esperança, com «soluções viáveis» para combater o aquecimento global, incluindo tecnologias limpas que podem ser rapidamente implementadas e ações que podem ser tomadas para desbloquear biliões de dólares em investimentos.

«Esta é a sessão mais importante da COP desde Paris, em 2015, porque o resultado do Balanço Global definirá basicamente a agenda para os próximos cinco ou 10 anos de discussões sobre o clima», sustenta Richard Klein, do Istituto Ambiental de Estocolmo, citado pelo Energy Monitor. «O que vimos no balanço até agora é ambíguo: estamos a mover-nos na direção certa, mas não suficiente rápido», acrescenta.

Outro ponto importante será a determinação do funcionamento do novo fundo para perdas e danos, estabelecido na COP27, que tem como objetivo compensar os impactos climáticos os países em desenvolvimento que são menos responsáveis pelas alterações do clima.

A COP28 será crucial para determinar o aspeto deste fundo e como funcionará na prática, o que deverá gerar muitas dificuldades nas negociações que, caso falhem, podem prejudicar outras áreas de discussão da COP28.

«Ainda há muito a ser decidido sobre perdas e danos na COP28 e não há garantia de que uma decisão final seja alcançada», acrescenta Alex Scott.

Os resultados da COP28 são, por isso, incertos, embora alguns especialistas acreditem que podem haver grandes progressos, refere o Energy Monitor. A meta para as energias renováveis, o fundo para perdas e danos e as novas metas de financiamento e adaptação sobre a mesa são «as peças que poderão tornar a COP28 um grande sucesso. O que é preciso acontecer agora é que os investidores, as empresas e os países saiam da conferência e pensem: sim, estamos realmente à altura do desafio e podemos fazê-lo», conclui Antony Froggatt, vice-diretor do programa climático do think tank Chatham House.