
A Contextile 2026 regressa a Guimarães sob o tema Por um Fio, apresentando um programa distribuído por vários espaços da cidade e marcado pelo reforço das intervenções em espaço público, pela presença do artista Ai Weiwei e pelo aprofundamento da colaboração com a indústria têxtil portuguesa.
O tema propõe uma reflexão sobre a fragilidade do mundo perante as crises ambientais, sociais, políticas e económicas, desafiando artistas e parceiros industriais a desenvolver projetos centrados na sustentabilidade, reutilização de materiais e envolvimento das comunidades. «O planeta e o mundo estão por um fio», afirmou Joaquim Pinheiro, diretor da Contextile, durante a apresentação da programação, que decorreu ontem, 25 de junho, nos Tanques de Couro da Fraterna, em Guimarães. Cláudia Melo, da direção artística da bienal, acrescentou que o objetivo é «pensar como é que o têxtil pode operar como linguagem crítica» e funcionar «em sentido de alerta e para sensibilizar uma revolução mais sustentável».
Joaquim Pinheiro revelou que esta edição «vai ter uma escala bastante maior, seja pelo nosso artista convidado [Ai Weiwei], seja pela exposição internacional onde tivemos um novo recorde de participação a nível mundial», bem como «pelo desafio que colocámos à Capital Verde Europeia de fazermos intervenções na cidade e em espaço público». A Exposição Internacional, que vai ocupar o Palácio Vila Flor, recebeu 1.604 candidaturas de artistas provenientes de 81 países, que submeteram 2.036 obras. O júri selecionou 54 obras de 51 artistas de 27 países para integrarem a mostra central da bienal.
Empresas portuguesas colaboram com Ai Weiwei
O artista chinês vai intervir em três espaços da cidade, nomeadamente no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), na Praça da Plataforma das Artes e Criatividade (PAC) e nos Tanques de Couros da Fraterna. «A escolha do Ai Weiwei é uma escolha natural. Refiro aqui a sua célebre frase “Everything is art, everything is political” e é sobre essa premissa que a escolha do artista também nos pareceu muito natural para que viesse trabalhar o tema transversal da bienal», referiu Cláudia Melo.
O processo produtivo de uma das obras resulta de um trabalho desenvolvido ao longo de mais de um ano com empresas têxteis portuguesas. A Valérius 360 produziu fio reciclado a partir de vestuário militar, que será utilizado pela Lameirinho para produzir um tecido desenhado pelo próprio artista e que dará origem a roupa de cama destinada a integrar uma instalação no CIAJG. No mesmo espaço, estará também patente a instalação “Camouflage”, reutilizando os têxteis usados em Nova Iorque, no âmbito da 80.ª Assembleia Geral da ONU, em setembro do ano passado. «O tecido de camuflagem era para ser mandado produzir na China e eu disse ao Ai Weiwei que gostaria, para entrar exatamente dentro do conceito da temática da bienal, que fosse reutilizado de Nova Iorque», explicou Joaquim Pinheiro.
Além destas empresas, participam igualmente a Têxteis Penedo, envolvida na produção de tapeçarias de grande escala recorrendo, por exemplo, a fio com cortiça, para as obras da artista taiwanesa Yen-Yu Tseng. Já a JF Almeida produziu tecido a partir de fio reciclado para os sacos de promoção do evento e vai fornecer fio para uma performance, enquanto a Bless Internacional será responsável pela confeção dos sacos e de t-shirts alusivas à Contextile.
Programação completa
Além da Exposição Internacional e das intervenções de Ai Weiwei, a programação integra a exposição “A Change in the Weather? Material Storytelling in an Age of Uncertainty”, com curadoria de Janis Jefferies, que reúne artistas convidados de diferentes países, entre os quais Teresa Lanceta, de Espanha, Jakkai Siributr, da Tailândia, Simon Callery, de Inglaterra, e Movana Chen, de Hong Kong.
A Contextile 2026 inclui ainda o programa “Tecer o Verde”, desenvolvido em parceria com Guimarães – Capital Verde Europeia 2026, que contempla residências artísticas e intervenções de arte pública em vários pontos da cidade, ligando arte têxtil contemporânea, sustentabilidade, indústria e território.
As Textile Talks decorrem nos dias 6 e 7 de setembro, no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor, organizadas em torno de subtemas dedicados às narrativas de poder, alterações climáticas, desperdício têxtil como arte e transformação social. De acordo com Cláudia Melo, a convocatória recebeu cerca de 75 candidaturas, das quais foram selecionadas 18 para apresentação ao longo dos dois dias.
A nível pedagógico, o programa Emergências, exibido no Instituto de Design de Guimarães, reúne trabalhos produzidos na Escola Artística António Arroio, Escola Artística Soares dos Reis, Escola Superior de Artes e Design do Porto, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Universidade da Beira Interior, Universidade do Minho e Instituto Politécnico do Cávado e Ave.









