Consumo de roupa cresce até 2030

Até ao final desta década, o consumo de vestuário deverá continuar a crescer em todo o mundo e atingir um novo máximo médio de 18 quilos per capita. EUA e Austrália serão os mercados com maior consumo.

[Pixabay-Andreas Lischka]

De acordo com o mais recente estudo do banco privado Julius Baer sobre moda e ESG, se tudo continuar igual, o consumo per capita deverá continuar a aumentar, atingindo, em média, 18kg per capita em 2030.

Em termos regionais, os EUA e a Austrália destacam-se como os países com maior consumo per capita, com cerca de 30 kg de vestuário por ano, seguidos da Europa Ocidental, das economias asiáticas desenvolvidas e da China, com entre 20 kg e 25 kg. África tem o consumo mais baixo, com cerca de 5 kg, refere o artigo assinado por Susan Joho, economista do Julius Baer, no site CapitalBolsa.

Na década de 1950, o consumidor médio gastava cerca de um terço do seu rendimento em vestuário, uma quota que caiu para 12% em 2009 e para 5% em 2020. O número de peças compradas, contudo, tem vindo a aumentar, com cada uma delas a ser usada cada vez menos vezes.

«O consumismo criou nos mercados desenvolvidos uma sociedade acostumada a comprar e descartar constantemente coisas novas e a possuir muito. A fast fashion provavelmente levou a curiosidade humana pelo novo ao extremo», aponta a economista, que realça, contudo, que «os inquéritos aos consumidores revelam que a vontade de adotar um estilo de vida mais sustentável tem vindo a aumentar, com aproximadamente dois terços dos inquiridos a dizerem agora que a sustentabilidade é importante para eles».

Há atualmente um esforço por parte da própria indústria, com as empresas a centrarem esforços na melhoria dos processos produtivos, «através da utilização de matérias-primas mais sustentáveis, uma vez que é a fase mais relevante em termos de emissões de CO2 e poluição», destaca.

A economista do Julius Baer sublinha que, dependendo do tipo de fibra e do método de produção, por cada quilo de tecido são libertados no ar entre 15 e 35 quilos de dióxido de carbono e que são usados mais de 15.000 produtos químicos diferentes ​​durante o processo de produção de têxteis. «Para ilustrar a intensidade de recursos nesta área, uma empresa europeia de acabamentos têxteis apresentou números que mostram que utiliza 466 gramas de produtos químicos por cada quilo de têxteis produzidos. Isto significa que é necessário entre 10% e 100% do peso do tecido em produtos químicos para produzi-lo», refere.

A legislação está igualmente a contribuir para que haja uma maior consciencialização. «A legislação e o apoio governamental são importantes e em países como França, a partir deste ano, os consumidores poderão ser ressarcidos para reparar estragos na sua roupa, para que possam voltar a usá-la em vez de a deitar fora», indica Susan Joho.

«Além disso, aspetos como a longevidade e durabilidade do nosso vestuário, ou a criação de um processo eficaz de reciclagem têxtil, são de grande importância para que estes avanços na sustentabilidade ganhem peso», conclui.