Consumir sem moderação

O consumo de artigos e serviços de luxo teve um crescimento de 29% no terceiro trimestre deste ano no mercado americano, na sequência do regresso dos consumidores com rendimentos mais altos às compras. Segundo dados de um painel de 1.067 consumidores norte-americanos com rendimentos médios na ordem dos 228 mil dólares, que gastaram cerca de 18.800 dólares entre Junho e Setembro deste ano, a subida do nível de consumo situou-se perto dos 4.300 dólares por indivíduo relativamente aos 3 meses anteriores. O aumento do consumo desta classe social foi impulsionado pelos consumidores com os mais altos níveis de rendimento – acima dos 250 mil dólares anuais. Os produtos e os serviços com melhor performance foram os artigos para a casa, as viagens e os gastos com alimentação no sector hoteleiro. A retracção no consumo registada no início do ano ficou a dever-se essencialmente aos cortes de postos de trabalho em Wall Street, ao menor valor do imobiliário e à volatilidade dos mercados financeiros. «Sem dúvida que o aumento do consumo no terceiro trimestre é um óptimo sinal para os retalhistas do segmento luxo», referiu Pam Danziger presidente da Unity Marketing. «Muitos consumidores mais afluentes retomaram os seus níveis de compras após terem estado com maior precaução durante cerca de um ano. No entanto, estes consumidores representam pouco no conjunto do mercado, cerca de dois milhões e meio de lares, o que levará a que a competição pela sua atenção seja muito forte», acrescentou. Os níveis de consumo aumentaram em 19 das 22 categorias que a empresa de estudos de mercado analisa. Em termos de grupos de rendimentos, verificou-se que o topo da pirâmide gastou, em média, 43.111 dólares em compras no terceiro trimestre, enquanto que o grupo analisado de menores rendimentos (entre 100 mil e 150 mil dólares) desembolsou apenas 10.423 dólares. As três categorias sem registo de subidas foram a de acessórios de moda, vestuário e arte. Apesar do aumento do consumo dos grupos de maiores rendimentos americanos, o grau de confiança entre estes consumidores parece estar a abrandar. O índice de confiança do segmento luxo, da mesma empresa, que tinha subido 18,6 pontos no trimestre anterior, apenas registou uma subida de 1,6 pontos, para os 75,9, durante o terceiro trimestre. Este índice, que se iniciou em Janeiro de 2004 com uma pontuação de 100 pontos, teve o seu ponto mais alto em Março de 2006, com 113,2 pontos, e o mais baixo em Setembro de 2008, com 40,3 pontos. Estes resultados foram baseados num painel de 1067 consumidores americanos com um rendimento mínimo de 100 mil dólares e com idades compreendidas entre os 24 e os 70 anos, tendo sido levadas a cabo entrevistas entre os dias 2 e 7 de Outubro.