Consumidores divididos nas compras

Nas últimas estações, as investidas de comércio eletrónico disruptivas da Amazon e as inovações de entrega foram roubando quota de mercado ao retalho tradicional – e, de acordo com os analistas, se os retalhistas não se esforçarem por acompanhar, vão continuar a perder clientes, cada vez mais inclinados a navegar e a comprar online.

Os consumidores falaram e afirmaram fazer a maioria das suas compras online, de acordo com o Consumer Survey, promovido pelo portal Retail Dive. Estes resultados corroboram um estudo recente da Deloitte Consulting, que revelou que os dispositivos digitais influenciam cerca de 56 centavos de cada dólar gasto (aproximadamente 52 cêntimos por cada euro) em lojas físicas.

Na verdade, das seis categorias exploradas no questionário do Retail Dive, as lojas físicas assumiram a liderança em apenas uma categoria – artigos essenciais para o lar. Cerca de três em cada cinco consumidores estão mais propensos a comprar itens essenciais para o lar, como bens alimentares, nas lojas. Enquanto isso, as compras online vencem nas categorias de vestuário e acessórios, eletrónica, entretenimento e cuidados pessoais e produtos de beleza.

No entanto, ainda que a generalidade dos consumidores esteja cada vez mais voltada para as compras digitais, existem diferenças de idade e de género. De um modo geral, os consumidores na faixa etária 35-44 anos são menos inclinados a fazer compras nas lojas para várias categorias. Enquanto isso, os consumidores mais jovens (18-24) e mais velhos (65+) inclinam-se mais para as compras em loja.

Há também diferenças entre os sexos. As mulheres preferem comprar produtos de cuidados pessoais e beleza nas lojas e, quando se trata de eletrónica, os homens também preferem o retalho tradicional.

Online ou offline? Depende do produto

As lojas físicas ainda são as favoritas quando os consumidores precisam de tocar, sentir e experimentar produtos antes de comprá-los e as lojas continuam a ser o canal de compras escolhido para artigos essenciais para o lar em particular, de acordo com os resultados da pesquisa. As compras de supermercado envolvem uma grande conveniência e componente de consumo imediato. A este propósito, recentemente, o WalMart divulgou que 90% dos americanos estão a menos de 15 minutos de uma das suas lojas.

Quando se trata de comprar bens alimentares, muitos consumidores preferem escolher os produtos mas, como qualquer outra categoria, as compras online para bens alimentares deverão ganhar força nos próximos anos.

Segundo as novas estatísticas do Food Marketing Institute e Nielsen, os gastos online em compras de supermercado podem alcançar os 100 mil milhões de dólares em 2025, enquanto a percentagem de consumidores a fazer compras online deverá duplicar. Em 2025, 72% de todos os consumidores vão reabastecer 25% das suas compras de supermercado online.

Entre as categorias sujeitas a estudo, os consumidores mostram-se menos suscetíveis a comprar artigos de entretenimento como livros e filmes nas lojas – os media digitais e os serviços de streaming são o novo normal para a grande maioria. Apenas 15% dos consumidores preferem comprar produtos de entretenimento numa loja versus online.

Consumidores de meia-idade preferem comércio eletrónico

Com a exceção de mobiliário para o lar e de utensílios domésticos, os consumidores mais novos e os mais velhos mostram-se mais propensos a entrar em lojas para comprar, em comparação com os seus homólogos de meia-idade.

O mais interessante é a alta percentagem de jovens consumidores (idades entre 18-24) que diz comprar mais vestuário e acessórios, eletrónica e entretenimento em lojas versus online, em comparação com a base global de consumidores. Isto reflete o aspeto social associado às compras em loja, mostrando a importância do retalho tradicional.

Para quase todas as categorias de produtos, uma percentagem maior de consumidores mais velhos (com 65 ou mais anos) afirma ter mais probabilidade de comprar nas lojas, em comparação com todos os consumidores. A única exceção é o entretenimento, onde o seu comportamento é semelhante à população total de compradores, provando que mesmo os seniores estão rendidos aos streaming.

A categoria de vestuário e acessórios, bem como a de cuidados pessoais e beleza, destacam-se por terem um baixo nível de preferência de compras em loja para o grupo etário de 35-44 anos, em comparação com outras idades e com a população em geral.

O sexo não muda hábitos de compra

Globalmente, os consumidores do sexo masculino e feminino tendem a comportar-se da mesma forma nas suas escolhas de compras, independentemente da categoria.

No entanto, cerca de 40% das mulheres afirmam comprar cuidados pessoais e produtos de beleza nas lojas, face a 35% dos homens. As mulheres querem ver e experimentar as características do produto, como cores e os aromas.

O futuro pertence ao omnicanal

Com a exceção dos produtos essenciais para o lar, uma maior percentagem de consumidores prefere fazer compras online do que em loja. Porém, isso não significa que os consumidores tenham feito totalmente a mudança e estejam a comprar mais produtos nas lojas do que online – pelo menos não para já. Mas os consumidores estão a revelar uma vontade e uma preferência crescente pela facilidade e eficácia das compras online.