Confiança empresarial em alta

De acordo com o inquérito de conjuntura às empresas do INE relativo ao primeiro mês de 2006, a confiança empresarial apenas recuperou no comércio, deteriorando-se na indústria, nos serviços e na construção e obras públicas. Na indústria transformadora, em particular, os níveis de confiança diminuíram em Janeiro pelo segundo mês consecutivo, depois da recuperação que se fez sentir nos quatro meses anteriores. A evolução deste mês ficou a dever-se à deterioração das opiniões sobre o nível dos stocks de produtos acabados e sobre as perspectivas de produção para os próximos meses sobretudo nos bens de consumo e na fabricação automóvel. Apesar deste enquadramento, as opiniões dos empresários da Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) mostraram-se mais optimistas em contraciclo com a Indústria Transformadora. Segundo os dados do inquérito de conjuntura, a confiança da ITV recuperou no primeiro mês de 2006 para o valor mais elevado desde o início da série (Abril de 2005). Contribuíram para esta evolução ambos os sectores (Têxtil e Vestuário) com aumentos de 1 ponto (saldo de respostas extremas) e 9 pontos respectivamente, face aos valores com que encerraram 2005. No que respeita ao sector têxtil, o sentimento empresarial foi influenciado pelas avaliações do stock de produtos acabados e pelas expectativas relativas à produção futura. A contrariar o efeito positivo destas duas variáveis estiveram as avaliações da produção dos últimos três meses com uma contracção de 14 pontos. As variações descritas reflectiram-se num aumento do indicador de confiança do sector têxtil em continuidade com a evolução patenteada no último mês fixando-se nos (-) 19 pontos, o valor mais elevado desde a alteração metodológica do Instituto Nacional de Estatística em Abril do ano passado. No vestuário, o início do ano revelou-se ainda mais favorável com os empresários do sector a traduzir esse optimismo no aumento do indicador de confiança para os (-) 15 pontos, após 3 meses de quedas sucessivas. Esta evolução reflectiu um forte aumento das expectativas relativas à carteira de encomendas global atingiu em Janeiro um valor de (-) 31 pontos, mais 29 pontos que no mês anterior. A reforçar este efeito esteve a carteira de encomendas interna e externa com uma variação positiva de 22 pontos no mês passado face a Dezembro do ano transacto. Todavia, contrariamente ao sector têxtil, no vestuário os stocks de produtos acabados tiveram um impacto negativo no indicador de confiança que conjuntamente com a produção actual contribuíram para contrabalançar o efeito positivo das encomendas. Por fim, no que respeita aos preços à saída da fábrica, ambos os sectores se mostram optimistas com aumentos das respostas extremas de 5 pontos no sector têxtil e 12 pontos no vestuário.