Confiança em Baixa

Num período conturbado da indústria têxtil e do vestuário, no qual as constantes notícias de falências fazem parte do quotidiano informativo, é importante fazer uma análise da evolução do sentimento dos agentes económicos no primeiro semestre de 2002. Um dado parece ser óbvio e prende-se com o clima de incerteza que paira sobre o sector e que se traduz na evolução dos indicadores de confiança no têxtil e vestuário. O indicador de confiança no sector têxtil evidenciou uma recuperação no primeiro trimestre do ano, após o qual registou nova queda, tendo atingido, em Maio, o mesmo nível do início do ano. No mês de Junho assistiu-se a um atenuar deste decréscimo, contribuindo para que no final do semestre tenha atingido um valor ligeiramente superior ao do início do ano. No vestuário, este indicador evoluiu, no primeiro trimestre de 2002, em contraciclo com o do têxtil, uma vez que a confiança no vestuário caiu abruptamente até Março, após o qual exibiu alguma instabilidade e tendo terminado o semestre a aproximar-se do valor evidenciado em Janeiro. A análise do primeiro semestre de 2002 não permite aferir a tendência do indicador de confiança, denotando-se alguma instabilidade e variabilidade dos indicadores. Todavia, se tivermos em conta o período homólogo do ano anterior, é notória uma acentuada perda de confiança, sendo este cenário extensível quer ao têxtil quer ao vestuário. No têxtil, o indicador de confiança decresceu de -6 para -17 pontos. Este corresponde ao valor mais baixo registado no primeiro semestre desde 1997 (ano de início da série). Esta situação não é exclusiva do têxtil, já que no vestuário o indicador diminuiu de -3 para -14 pontos, fixando-se também no valor mais baixo desde 1997. No entanto, apesar de se assistir a uma genérica deterioração dos indicadores, é importante salientar o decréscimo evidenciado pela procura global, nomeadamente a interna, já que é esta que apresenta a performance mais negativa (este cenário é ainda mais evidente no vestuário). Este aspecto atesta a importância que a procura externa poderá ter na recuperação da ITV nacional. No contexto actual em que a procura interna tem denotado dificuldades de recuperação e que se perspectivam que se mantenham a médio prazo, e quando se prevê uma recuperação económica mais acelerada na UE e EUA, o carácter exportador da ITV é cada vez mais um factor de sobrevivência das empresas nacionais. No entanto, as análises do Comércio Internacional realizadas pelo Observatório Têxtil e publicadas no Jornal Têxtil têm relatado a deterioração da Balança Comercial e a diminuição das exportações, que segundo estimativas do Observatório, diminuíram 3,2% no primeiro semestre de 2002 face ao período homólogo anterior.

Face a este cenário é premente as empresas encararem o mercado externo como objectivo estratégico de forma a aumentar a tendência exportadora do sector, sabendo, desde logo, as dificuldades e obstáculos que a implementação de tal política obriga, mas tendo a consciência que se esse não for o caminho adoptado, nada resta à ITV nacional senão uma longa agonia. No âmbito desta orientação, os responsáveis terão que ter em conta a importância de diversificar mercados como forma de delimitar os riscos, embora, nesta época de crescente globalização, seja cada vez mais complexo a adopção desse meio para atingir este fim. Pode obter mais informações referentes a esta notícia na secção de Estudos do Portugaltextil.