Comprar roupa no supermercado

Os clientes alemães preferem, cada vez mais, as redes de supermercados para comprar a sua roupa. Segundo um inquérito representativo de toda a Alemanha promovido pela revista alemã Textilwirtschaft com 1000 participantes, mulheres e homens, dois terços dos alemães já compraram, pelo menos uma vez um artigo de roupa em redes de supermercados como Aldi, Plus e Lidl ou outras lojas deste género. Mais de um sexto das pessoas inquiridas dizem que aproveitam várias vezes as ofertas dos supermercados e, por isso, podem ser vistas como clientes habituais em relação às compras de roupa. Hipermercados tipo WalMart ou Real não faziam parte do inquérito. Nem t-shirts, nem casacos, nem roupa interior ou roupa de cama são apresentados de forma especial nestes supermercados nem fazem parte das ofertas promovidas nos folhetos semanais destas empresas. Mesmo assim, as clientes gostam de comprar estes artigos. São especialmente as mulheres entre 30 e 49 anos de idade que são atraídas pelas ofertas de roupa apresentadas entre massa e sopas pré-feitas. Cerca de 81% das mulheres não levam apenas um produto ultracongelado ou latas consigo para a casa, mas também um artigo de roupa e 22% fazem isso várias vezes. As mulheres com menos de 30 anos ou mais de 50 anos são menos fiéis aos supermercados e apenas 14% compra regularmente roupa nestes locais. Mesmo assim, 63% compraram pelo menos uma peça de roupa num supermercado. A explicação para o facto de serem especialmente as mulheres entre 30 e 49 anos que aproveitam as ofertas dos supermercados pode ser a circunstância de efectuarem compras para toda a família. É provável que comprem não só roupas para os filhos, mas ao mesmo tempo, também para o marido. Mas não são apenas mulheres que ficam tentadas com as ofertas dos supermercados. Mais de 61% dos homens inquiridos dizem que já compraram pelo menos um artigo de roupa num supermercado. Cerca de 14% deles podem ser vistos como clientes habituais em relação à compra de roupa. De um modo geral, os homens resistem mais às ofertas de roupa dos supermercados do que as mulheres. O grupo mais “resistente” nesta relação é o dos homens com menos de 30 anos de idade. É verdade que mais de metade deles já comprou um artigo de roupa num supermercado, mas apenas um em cada 17 admitem que isso tivesse acontecido mais do que uma vez. Uma explicação pode ser o facto da mercadoria dos supermercados não ter a imagem certa. É conhecido que é especialmente neste grupo etário que existe maior interesse em produtos de marca do que em todos os outros grupos masculinos. Os resultados do inquérito provam mais uma vez, que não são apenas os hipermercados com as suas secções de roupa que fazem concorrência ao comércio a retalho tradicional, mas também as filiais dos supermercados que se encontram em quase todos os locais na Alemanha. Este desenvolvimento reflecte-se também no volume de venda de roupa. Cerca de 12% do volume de vendas total de 59 mil milhões de euros, foram realizados no comércio a retalho de alimentação. Mesmo uma grande parte deste valor foi efectuada nos grandes redes de hipermercados. A importância crescente dos supermercados não pode ser ignorada. Em 2000, apenas o Aldi, uma rede filiais muito semelhante ao Lidl ou ao Plus, tinha um volume de vendas de 980 milhões de euros. Com este valor, a empresa é o nona maior vendedora de roupa alemã. Os têxteis representam mais de um terço dos negócios desta empresa. É possível que esta quota no futuro aumente, já que estes produtos oferecem uma margem de lucro maior. Além disso, as empresas querem oferecer produtos de moda em vez de oferecer uma “mixórdia de produtos”. Se a estratégia de oferecer produtos mais modernos vai aumentar significativamente as vendas dos supermercados ainda não se sabe, por duas razões: primeiro, muitos clientes que compram roupa interior nestas lojas ainda rejeitam a ideia de comprar “roupa visível” como camisolas, blusas ou calças nestas lojas; segundo, 40% das pessoas inquiridas rejeitam completamente a ideia de comprar roupa em supermercados. Numa comparação entre as ofertas do comércio especializado e os supermercados, é óbvio que os últimos não conseguem oferecer a mesma variedade. Em relação à qualidade, não existem grandes diferenças segundo a opinião dos inquiridos. Mais de 50% é de opinião que a qualidade dos produtos oferecidos pelos supermercados é pior do que a do comércio especializado. Como era de prever, são especialmente os clientes habituais dos supermercados que são dessa opinião. Mas mesmo no grupo de pessoas que dizem que nunca seriam capazes de comprar num supermercado existe uma boa opinião sobre os artigos em questão. Os tempos em que ninguém queria confessar que comprava roupa em supermercados acabaram. A imagem destas lojas mudou muito durante os últimos anos e as ofertas de roupa tiveram um papel importante neste processo. Muitos dos consumidores têm interesse nas ofertas semanais de roupa dos supermercados, mesmo que no fim não comprem nada. Mais de metade das pessoas inquiridas dizem que estão atentas aos folhetos e aos anúncios nas amostras dos supermercados para se informar sobre as ofertas de roupa destas lojas. Os clientes habituais têm ainda mais interesse e 90% dizem que vêem todas as semanas as ofertas dos seus supermercados para obter novos artigos de roupa. Muitas das clientes já têm uma certa ideia do que é que querem quando entram nos supermercados, mas a maior parte das compras de roupa é efectuada espontaneamente. Cerca de 70% das pessoas que já compraram um produto de roupa num supermercado dizem que não tinham a intenção de o fazer. O mesmo acontece os clientes que compraram várias vezes roupa nos supermercados: 82% dizem que não tiveram a intenção de comprar roupa. A decisão de comprar é tomada in loco, como é também costume em outros locais de venda. E muitas vezes são simplesmente os preços baixos que incitam à compra.